
Apesar dos recentes gestos de aproximação entre o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o governador Cláudio Castro, a CPI da Transparência promete manter a pressão sobre o Executivo. Nesta terça-feira (18/02), o colegiado se reuniu pela primeira vez para definir os rumos da segunda fase dos trabalhos, que terá como foco o Instituto Rio Metrópole, a Secretaria de Estado do Ambiente e Águas do Rio.
Os deputados também aprovaram a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias, assim como a realização de audiência em conjunto com a CPI dos Serviços Delegados, comissões de Saneamento e Minas e Energia, no qual serão convocados a prestar esclarecimentos representantes da Cedae, Águas do Rio e Aegea, controladora da concessionária.
Nesta semana, 37 bairros do Rio ficaram sem água por conta da interrupção do fornecimento pela Águas do Rio que justficou a medida diante da necessidade de manutenção de uma adutora. O corte aconteceu exatamente nos dias em que a temperatura na cidade chegou a 44 º graus. Em São Gonçalo, vários bairros continuam sem água sem que a empresa apresente qualquer justificativa.
A comissão, criada em meio a uma crise entre os Poderes Legislativo e Executivo, foi instalada para investigar o descumprimento da Lei de Acesso à Informação e a gestão de processos sigilosos no Sistema Estadual de Informações (SEI). Em setembro do ano passado, a CPI ganhou destaque ao convocar sete secretários estaduais para prestar esclarecimentos sobre a realização do Rock in Rio. Na época, o colegiado teve seu prazo de funcionamento prorrogado por mais 60 dias.
“Infelizmente, o Rio de Janeiro é um estado com problema crônico de corrupção. Diversas são as denúncias, e irregularidades já verificadas. Iremos avançar para cobrar respostas e buscar consertar o que está errado”, anunciou o presidente da CPI, deputado Alan Lopes (PL).
A CPI tem como vice-presidente Filippe Poubel (PL) e como relator Rodrigo Amorim (União Brasil). Também integram a comissão os deputados Thiago Rangel (PMB), Yuri Moura (Psol) e Marcelo Dino (União Brasil).
A segunda fase dos trabalhos deve aprofundar as investigações sobre a gestão de recursos e a transparência nas ações do Instituto Rio Metrópole, responsável por projetos de desenvolvimento urbano na região metropolitana, e da Secretaria do Ambiente, que gerencia políticas ambientais e hídricas no estado.
Apesar dos recentes acenos de pacificação entre a Alerj e o Palácio Guanabara, a CPI sinaliza que não recuará em sua missão de fiscalizar o governo. A expectativa é que, nos próximos dias, novos depoimentos sejam marcados e documentos sejam requisitados para dar continuidade às apurações.
Fonte: https://agendadopoder.com.br/apos-aguas-do-rio-deixar-37-bairros-sem-agua-cpi-da-transparencia-vai-convocar-diretores-da-concessionaria/