
O deputado estadual Yuri Moura (Psol) protocolou, na última terça-feira (26), uma representação no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitando investigação sobre o lutador Vitor Belfort e sua esposa, Joana Prado, por suposta prática de racismo religioso.
A denúncia surge após a divulgação de um vídeo nas redes sociais do casal, no qual criticam o Carnaval e fazem referências depreciativas às religiões de matriz africana. A postagem recebeu comentários até do historiador e pesquisador Luiz Antônio Simas.
No vídeo, eles associam o Carnaval a “culto aos orixás” e “invocação aos demônios”, além de afirmarem que a festa “envolve muito a cultura da macumba” e “promove tudo o que é contrário à vontade de Deus”. Para o deputado, tais declarações configuram racismo religioso por reforçar estereótipos preconceituosos e contribuírem para a marginalização das religiões afro-brasileiras.
“O que foi dito por Joana Prado e Vitor Belfort não pode ser tratado como mera opinião. Estamos falando de racismo religioso, que tem base na discriminação e na perseguição histórica às religiões de matriz africana”, declarou o deputado.
Intolerância no Brasil
A denúncia do deputado reacende o debate sobre a intolerância religiosa no Brasil, especialmente contra as religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Dados da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro) revelam que 78% das comunidades tradicionais de terreiros já sofreram algum tipo de violência motivada por racismo religioso.
Além disso, o Disque 100 registrou um aumento de 80% nas denúncias de intolerância religiosa em 2023, com um total de 2.124 ocorrências. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia concentram a maior parte dos casos.
O pedido do deputado Yuri Moura agora aguarda análise do Ministério Público. Caso a denúncia seja aceita, Belfort e sua esposa poderão ser investigados e responder por crime de racismo religioso, com pena de reclusão e multa. O casal, que mora nos Estados Unidos há 20 anos, ainda não se manifestou sobre a polêmica.
Fonte: https://agendadopoder.com.br/deputado-denuncia-casal-belfort-ao-ministerio-publico-por-racismo-religioso-veja-video/