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O evento Spotlight, que celebrou os 20 anos do Olhar Digital, reuniu 30 especialistas renomados para discutir o futuro da tecnologia e suas aplicações. Durante o evento, diversas palestras e painéis abordaram desde monetização de conteúdo digital até os desafios da inteligência artificial (IA). Entre os destaques, a apresentação de Roberto “Pena” Spinelli trouxe uma reflexão sobre o impacto da IA na sociedade e sua acelerada evolução.
Pena, físico formado pela USP e especialista em Machine Learning e colunista do Olhar Digital News, enfatizou que a tecnologia está crescendo em um ritmo exponencial, mudando radicalmente a forma como interagimos com a inteligência artificial. Em sua palestra, ele abordou como a humanidade precisa se preparar para essa nova era, onde a IA deixará de ser apenas uma ferramenta para se tornar um agente autônomo na tomada de decisões.
O crescimento exponencial da IA
Pena destacou a dificuldade humana em compreender o crescimento exponencial e como isso impacta a inteligência artificial. “O ser humano não entende crescimento exponencial”, afirmou. Ele explicou que esse tipo de crescimento parece insignificante no início, mas depois acelera de forma brusca.
Para ilustrar essa ideia, ele usou o exemplo dos primeiros computadores.
Os computadores nasceram por volta de 1940, como entendemos hoje. Já existiam versões anteriores, mas vamos definir esse marco. Se considerarmos que o primeiro computador fazia um cálculo por segundo… era um trambolho gigante e fazia um único cálculo por segundo.
Roberto “Pena” Spinelli, físico, especialista em Machine Learning e colunista do Olhar Digital
Ele em seguida mencionou a Lei de Moore, que prevê que a capacidade computacional dobra a cada 18 meses. “A Lei de Moore diz que o poder computacional dobra, em média, a cada 18 meses”, explicou. “E essa é uma das leis que ainda se sustentam até hoje, mais ou menos”, completou.
Para demonstrar o impacto desse crescimento, Pena fez um paralelo entre a evolução computacional e a capacidade do cérebro humano. “Se fizermos uma analogia sobre quantos cálculos por segundo o cérebro humano faz, chegaríamos a algo em torno de um quintilhão de cálculos por segundo”, disse.
Ele então apontou para um gráfico mostrando a trajetória desse crescimento computacional. “A gente está aqui em 2025, mas se a gente projetar dez anos nesse crescimento, isso aqui já vai ter passado dos números de cálculos por segundo que [o ser humano] faz.”
A Era da Inteligência e o impacto no trabalho
Durante a palestra, Pena afirmou que estamos vivendo uma nova fase da tecnologia. “Estamos entrando, sim, na era da inteligência”, disse. Ele explicou que a IA está evoluindo rapidamente e que o crescimento exponencial faz com que as mudanças pareçam lentas no início, mas depois se tornem inevitáveis e avassaladoras.
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Ele também levantou uma reflexão sobre o mercado de trabalho e a substituição humana pelas máquinas. “Hoje, a IA é minha assistente. Amanhã, eu sou assistente dela. Quer dizer, nem isso porque ela vai falar assim: ‘não, não, eu prefiro sem você’.”, disse, alertando sobre os desafios da automação.
Além disso, Pena questionou a crença de que novas profissões vão surgir para compensar as que forem extintas. Ele também mencionou a renda básica universal como uma possível solução para mitigar os impactos dessa mudança. “Essa aqui, por exemplo, é um tipo de solução. Uma renda básica universal, ou outros tipos de seguridade que a gente tem que trazer”, disse.
A transição para a Era dos Agentes
Spinelli explicou que a IA já passou da fase de simples assistentes e está entrando na Era dos Agentes, onde a tecnologia começa a operar de forma independente. “Esse ano, inauguramos a era dos agentes. Vamos estar infestados pelos agentes. E o que é um agente, afinal? Agente é simplesmente aquilo que, não apenas ele te assiste, mas ele pode fazer, de maneira autônoma, tarefas”, afirmou.
Ele citou o exemplo do ChatDev, um experimento em que uma empresa inteira foi criada utilizando apenas agentes de IA. “Cada um desses bonequinhos é um agente rodando uma IA. Há designers, programadores, testadores… e eles fazem reuniões entre si. E eles são uma empresa que funciona sozinha”, explicou.
Pena alertou que a adoção dessa tecnologia está avançando muito rapidamente. “Isso já existe há alguns anos. Hoje, agora, nesse momento, estamos vendo várias empresas lançando sistemas de agentes”, disse.
O futuro da Inteligência Artificial Geral (IAG)
Outro ponto abordado foi o conceito de Inteligência Artificial Geral (IAG), que seria uma IA capaz de realizar qualquer tarefa intelectual que um ser humano pode executar. “Quanto tempo até termos essa inteligência artificial geral?”, questionou Spinelli.
Ele apresentou gráficos e destacou como as previsões sobre a chegada da IAG estão se encurtando rapidamente. “Em 2020, antes do GPT-3, as previsões indicavam que levaríamos 80 anos para chegar lá”, disse. “Depois de um ano, caiu para 50. Quando o GPT-3 foi anunciado, esse tempo caiu para 34 anos. Dois anos depois, já falavam em 18. E tivemos o lançamento do GPT-4, já temos oito anos. E esse gráfico já é antigo”, detalhou.
Se essa tendência continuar, a IAG pode surgir tão cedo quanto 2027. “Se continuássemos com essa previsão, com os erros, com a trajetória, estamos falando em 2027”, explicou. “Se a gente, na verdade, agora parou de errar, e são os oito anos mesmo, estamos falando de 2031”, completou.
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Reflexões e desafios para o futuro
Para encerrar, Pena fez uma analogia sobre a relação entre seres humanos e as futuras IAs. “É muito difícil a gente pensar que um ser mais inteligente serve o ser menos inteligente.”, afirmou. Ele comparou essa dinâmica com a forma como tratamos outras espécies.
“Nós, os seres humanos, quando a gente vai fazer uma nova obra, alguma coisa, a gente não pergunta se os chimpanzés vão se importar da gente destruir a floresta. A gente não reúne os chimpanzés no nosso conselho e fala, ‘ei, o que você acha?’ A gente sequer pensa sobre isso”, comparou.
O palestrante reforçou a necessidade de resolver o problema do alinhamento da IA com os interesses humanos para evitar consequências imprevisíveis. “Se a gente resolver o problema do alinhamento, vai dar certo. Se não, talvez seja um outro problema”, concluiu.
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O Spotlight, evento especial promovido pelo Olhar Digital, trouxe uma série de discussões sobre os impactos da tecnologia, monetização de conteúdo digital e melhores práticas para a geração de informação na era digital. A palestra de Roberto Pena Spinelli foi um dos destaques da programação, levantando questões essenciais sobre o futuro da IA e seu papel na sociedade contemporânea.
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Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/02/27/pro/especialista-alerta-hoje-a-ia-e-minha-assistente-amanha-eu-sou-assistente-dela/