4 de abril de 2025
O que é a cólica menstrual e por que ela
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O ciclo menstrual costuma ser uma caixa de surpresas na vida de todas as pessoas que possuem útero. Primeiro, não se sabe ao certo quando irá acontecer a primeira menstruação, porque esse processo varia muito de pessoa para pessoa. Depois, só é possível saber se esse período vai ser marcado por outras características importantes, como a TPM e as cólicas menstruais, depois que o ciclo já se iniciou.

Então, a espera por esse acontecimento pode gerar ansiedade e preocupação. Felizmente, hoje em dia já encontramos diversas formas de amenizar e até mesmo eliminar essas consequências inconvenientes de se ter um ciclo menstrual, seja com tratamentos e medicações, e até mesmo atividades físicas e intervenções cirúrgicas, dependendo da orientação médica.

Entretanto, você já se perguntou o que é a cólica menstrual, e por que ela acontece? Saiba tudo na matéria abaixo.

Também conhecida como dismenorreia, a cólica menstrual é uma dor que ocorre no baixo ventre durante o período de menstruação. (Imagem: Kmpzzz/Shutterstock)

Menstruação: o que é a cólica menstrual e por que ela ocorre?

Antes de mais nada, é importante pontuar um fato: apesar de ser comum associarmos a menstruação e as cólicas às mulheres cis, não podemos esquecer que diversos homens trans possuem útero e menstruam, também podendo sofrer com essas dores, bem como pessoas não-binárias, e outras identidades de gênero. Portanto, o mais recomendado é se referir a esse grupo como “pessoas”, e não apenas mulheres.

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Também conhecida como dismenorreia, a cólica menstrual é uma dor que ocorre no baixo ventre durante o período de menstruação, afetando de 70% a 90% das pessoas jovens, de acordo com dados do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG).

Ela é causada pela contração feita pelo útero durante o processo para eliminar o sangue e o tecido interno do útero, o endométrio, durante a menstruação. Em alguns casos, as dores podem começar alguns dias antes do fluxo aparecer, e permanecer por alguns dias após o término da menstruação.

De acordo com o que aprendemos nas aulas de biologia e com a informação de especialistas, sabemos que, todo mês, o sistema reprodutor feminino se prepara para uma gestação. Com isso, o útero forma uma camada interna que é feita para receber o embrião, chamada de endométrio.

Entretanto, quando a gravidez não acontece, é dado início ao processo de eliminação dessa camada, além da regeneração do útero para um novo ciclo.

Então, como forma do útero conseguir expelir esse material, acontecem diversos eventos que envolvem a contração da musculatura uterina, um processo inflamatório de regeneração do endométrio e a liberação de prostaglandinas, substâncias que causam a dor.

ilustração sobre como acontece as cólicas
A dismenorreia é causada pela contração feita pelo útero durante o processo para eliminar o sangue e o tecido interno do útero, o endométrio, durante a menstruação. (Imagem: brgfx/Freepik)

Ainda que as cólicas sejam provocadas pela contração da musculatura do útero, além da liberação das substâncias que causam dor, existem alguns casos que pessoas sem útero podem senti-las. Quem passa por uma histerectomia, por exemplo, que é um procedimento cirúrgico para remover o útero, pode sentir cólicas parecidas com as menstruais, e isso pode ser preocupante.

De acordo com a ginecologista Manu Lakshmi existem diferentes tipos de histerectomia, sendo que algumas removem todo o útero, incluindo o colo, e outras deixam os ovários intactos, o que não interfere no ciclo menstrual.

Ainda que não haja mais sangramento, pode continuar existindo a produção contínua de hormônios, causando sintomas semelhantes aos da menstruação. Essas alterações hormonais também podem causar outros sintomas semelhantes aos da TPM, incluindo inchaços e alterações de humor.

Além disso, podem acontecer dores semelhantes às cólicas menstruais, causadas pela recuperação da cirurgia, e a formação do tecido cicatricial na área pélvica após o procedimento.

Por que a cólica no período menstrual dói tanto?

A cólica menstrual assombra a vida de muitas pessoas, uma vez que pode afetar o organismo de forma muito incômoda, em forma de dor intensa. Em entrevista ao site Quartz, o professor de saúde reprodutiva John Guillebaud, da University College London, disse que a sensação pode ser tão severa a ponto de ser comparada com um ataque do coração.

A dor das cólicas pode ser descrita como aguda, penetrante, em pontada ou latejante e intermitente, que pode fazer a pessoa se contorcer, ou até mesmo uma dor persistente que se espalha pela barriga e região lombar. Algumas pessoas podem até mesmo sentir tonturas, náuseas, diarreia ou vômito.

ilustração demonstrando como é a sensação de dor da cólica
A dor das cólicas pode ser descrita como aguda, penetrante, em pontada ou latejante e intermitente, que pode fazer a pessoa se contorcer, ou até mesmo uma dor persistente que se espalha pela barriga e região lombar. (Imagem: Cadimium_Red/Shutterstock)

Como dito acima, a dismenorreia é causada pelas contrações uterinas que eliminam o endométrio, e são provocadas pelo aumento na produção de prostaglandinas, uma substância química que também está relacionada com a inflamação e formação de coágulos. E

ssas substâncias causam dor porque podem ocasionar fortes contrações, que reduzem o fluxo sanguíneo e o oxigênio para o útero, aumentando a dor. Essas dores só passam de fato quando os vasos voltam para seu diâmetro normal, ou seja, quando os níveis do estrogênio voltam a subir.

Com essas informações, pode-se pensar que é normal sentir dor. Apesar disso não ser verdade na maior parte das situações, quando se trata da dismenorreia, é possível classificar a dor em dois tipos: a primária e a secundária.

  • Dismenorreia primária: a cólica acontece desde os primeiros ciclos menstruais ainda na adolescência, mas sem estar associada a uma doença ginecológica. É comum que ela diminua com o tempo, principalmente depois da primeira gestação. Além disso, pode ser controlada com ações simples, como o uso de analgésicos e anti-inflamatórios;
  • Dismenorreia secundária: há uma mudança nas características da dor que, em vez de melhorar, acaba piorando com o tempo. Com isso, ela pode se tornar muito intensa, durar por mais dias e não ser resolvida com o uso de medicamentos. Essas cólicas também podem ou não estar associadas a outros sintomas, como dores nas costas, dores de cabeça, náuseas e alterações intestinais ou urinárias.

Esse tipo de cólica menstrual é preocupante, e não é vista como algo normal, já que pode influenciar na qualidade de vida da mulher, interferindo em sua rotina e provocando idas a hospitais para medicações, e até mesmo internações.

De acordo com Fabia Vilarino, ginecologista especialista em reprodução humana e cirurgia ginecológica endoscópica, “nesses casos, é preciso fazer uma investigação e acompanhamento rigorosos, uma vez que essas queixas costumam estar associadas a doenças como miomas, adenomiose e endometriose”.

Mulher com dor na barriga
Casos mais extremos de cólicas precisam ser investigados, pois podem ser sintomas de algumas condições como miomas, adenomiose e endometriose. (Imagem: Jacob Wackerhausen / iStock)
Obrigatoriamente, toda mulher tem cólica?

Não! Nem todas as mulheres sentem cólica menstrual, e a frequência e intensidade não só de variam de pessoa para pessoa, como também pode mudar ao longo da vida de uma única mulher. Ou seja, quem já sofreu de cólicas em um período da vida, pode passar a não ter mais, e vice-versa.

Quanto tempo duram as cólicas menstruais?

Assim como os outros fatores, esse também varia de acordo com o organismo da mulher. Não há um tempo exato, contudo, a média de duração é entre 8 e 72 horas. A dor costuma ser mais intensa nas primeiras 24h após o início da menstruação, e diminuir após 2 a 3 dias.

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/04/03/medicina-e-saude/o-que-e-a-colica-menstrual-e-por-que-ela-ocorre/