28 de agosto de 2025
Fake news ameaçam a vacinação infantil no Brasil
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O Brasil, durante décadas, foi exemplo de vacinação infantil para o mundo inteiro. Campanhas de vacinação eram seguidas por quase todos, e pais que deixassem de vacinar seus filhos eram vistos com desconfiança.

Mas o que mudou? O fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas, pelo sucesso que tivemos no passado, é extremamente preocupante. Segundo levantamento feito pelo Unicef e divulgado pela Folha de São Paulo, o “Brasil retornou à lista dos 20 países com maior número de crianças não vacinadas no mundo”.

Segundo a OMS, 229 mil crianças brasileiras não foram vacinadas em 2024. Movimento antivacina é um dos responsáveis. Crédito: Peter Hansen/iStock

Movimento antivacina é responsável pelo aumento de crianças sem vacina

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmam que 229 mil crianças deixaram de ser vacinadas no país em 2024, 126 mil a mais que em 2023, no mundo, cerca de 14,3 milhões de crianças não tomaram vacina alguma. E um dos fatores citados por especialistas é o aumento do movimento antivacina

Levantamento do Ministério da Saúde afirma que a cobertura vacinal no Brasil, que era de 97% em 2015, caiu para 75% em 2020, o que já deveria ter ligado um alarme gigantesco entre as autoridades nacionais, mas não foi o que vimos.

Tem acontecido uma epidemia de informações falsas divulgadas propositadamente por pessoas mal-intencionadas nas redes sociais.

Fernando Bellissimo Rodrigues, médico infectologista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, ao jornal da USP.

E, para Rodrigues, “o objetivo desses indivíduos não é especificamente reduzir a cobertura vacinal, mas fazer lucro com a desinformação”.

Segundo especialistas, essas são algumas causas da queda na vacinação infantil no Brasil:

  • Aumento do movimento antivacina
  • Disseminação de fake news nas redes sociais
  • Lucro com desinformação digital
  • Falsa impressão de que doenças foram erradicadas
  • Menor percepção de risco de doenças como sarampo e pólio
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Especialistas afirmam que o Ministério da Saúde precisa investir em comunicação para combater notícias falsas e incentivar campanhas de vacinação. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mas o que fazer para incentivar a vacinação infantil?

Rodrigues acredita que o Ministério da Saúde deveria criar campanhas para combater notícias falsas em relação às vacinas.

“A introdução de campanhas nacionais desmistificando conteúdo falso é de extrema importância para o esclarecimento das populações a respeito das vacinas”, acredita o infectologista. Além de incentivar políticas públicas voltadas para a atenção primária à saúde, com a ampliação do número de agentes comunitários da saúde.

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“Esses agentes são responsáveis por ir até a casa das pessoas, verificar o cartão vacinal de cada membro da família e, principalmente, estimular uma maior adesão à imunização, cuja cobertura necessita ser expandida no Brasil”, afirma.

E o SUS, por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI) tem total capacidade para atender as necessidades de vacinação infantil, mesmo com todas as falhas já conhecidas, como a falta de vacinas em algumas unidades.

O PNI tem, sim, condições de ofertar e vacinar todos, o que precisamos é levar essas crianças para as unidades de saúde.

Fernando Bellissimo Rodrigues, médico infectologista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, ao jornal da USP.

Combater a desinformação e aumentar o investimento

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A falsa impressão de que as doenças estão controladas levam a uma redução na imunização. Crédito: Romolo Tavani (Shutterstock)

Mas o problema não está apenas nas fake news veiculadas corriqueiramente pelas mídias sociais. Existe também a falsa ideia de que as doenças contagiosas foram totalmente erradicadas no país.

Esse alerta é feito pela pediatra Jorgete Maria e Silva, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. “Entre 2012 e 2016, começou a se observar uma queda na vacinação. Na época, passou-se a ter menos casos de sarampo e poliomielite”, explica.

Segundo a pediatra, isso levou a “uma falsa impressão de que as doenças estavam controladas e que não era preciso receber imunização. Em conjunto a isso, houve também o crescimento de ideias de grupos antivacinas”, levando ao retorno de doenças que, até então, estavam erradicadas.

Em 2024, por exemplo, o Brasil registrou o primeiro caso de poliomielite em 34 anos. Segundo a Associação Médica Brasileira, o caso envolveu uma criança de três anos e o Ministério da Saúde confirmou que ela não estava com o esquema vacinal completo.

O maior impacto é trazer doenças imunopreveníveis, como surtos de sarampo, coqueluche e poliomielite.

Jorgete Maria e Silva, pediatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, ao Jornal da USP.

Para virarmos esse jogo, acredita a pediatra, “o Ministério da Saúde precisa obter mais espaço nos meios de comunicação e divulgar a importância dos imunizantes”, além de investir na educação da população geral, principalmente entre a população mais vulnerável.

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/08/28/medicina-e-saude/fake-news-ameacam-a-vacinacao-infantil-no-brasil/