
No dia 28 de julho, o estudo intitulado “Formação de imagens no Santo Sudário – Uma abordagem digital 3D”, de autoria do pesquisador e designer 3D brasileiro Cícero Moraes, foi publicado na revista Archaeometry. Um mês depois, o material se tornou o artigo mais influente de todos os tempos do periódico científico.
Archaeometry é uma revista científica internacional que abrange a aplicação das ciências físicas e biológicas à arqueologia, antropologia e história da arte. Os tópicos abordados incluem métodos de datação, estudos de artefatos, métodos matemáticos, técnicas de sensoriamento remoto, ciência da conservação, reconstrução ambiental, estudo do homem e seu ambiente, antropologia biológica e teoria arqueológica.
Nesta quinta-feira (28), o estudo de Moraes alcançou o primeiro lugar no ranking de referência da Archaeometry segundo a Altmetric, uma empresa britânica que mede o impacto de artigos científicos além do âmbito tradicional das citações acadêmicas, ou seja, também na sociedade e no debate público.
Além disso, é também o segundo mais influente do mundo em História e Arqueologia nos últimos 30 dias e ocupa o topo 0,13% de um total de 29 milhões de artigos traqueados, ou seja, a pontuação dele é maior do que os demais 99,87%.
“Quando descobri que o meu artigo havia se tornado o mais influente da história do Archaeometry e, nos últimos trinta dias, o segundo mais influente do mundo em História e Arqueologia, fiquei realmente surpreso”, disse Moraes ao Olhar Digital. “O meio acadêmico é extremamente competitivo, novas pesquisas relevantes surgem todos os dias, e ver o meu trabalho alcançar essa projeção foi uma experiência emocionante”.
Estudo diz que imagem no “Santo Sudário” não corresponde a um ser humano real
Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o estudo compara duas simulações digitais de formação de imagem no tecido: uma a partir do contato direto com um corpo humano e outra com um baixo-relevo. O resultado mostrou que a imagem do corpo gerava distorções, enquanto o baixo-relevo produzia uma representação semelhante à do Sudário de Turim. Isso sugere que a origem da peça está mais ligada a práticas artísticas medievais, especialmente à chamada “arte tumular” documentada a partir do século XII.
O artigo, no entanto, não define o Sudário como falsificação ou prova de contato com o corpo de Cristo. Ele propõe uma leitura alternativa: a de que se trata de uma sofisticada obra de arte cristã.
Poucos dias após a publicação, o estudo foi repercutido em veículos de imprensa de todo o mundo, alcançando leitores em cerca de 40 idiomas. A repercussão foi tão expressiva que a Diocese de Turim chegou a emitir uma nota oficial a respeito, um gesto incomum e, ao que indicam os registros públicos, pouco frequente na história recente da instituição guardiã da relíquia.

O entendimento da imagem no tecido como aparência de “fotocópia” e não como marca corporal já foi discutido outras vezes. No entanto, segundo Moraes, o que difere seu estudo é o enfoque didático: reúne ilustrações simples, vídeos claros, exemplos práticos de distorção e arquivos disponíveis para reprodução.
Essa combinação, somada à inovação metodológica, ao destaque na mídia, ao impacto acadêmico e às reações institucionais, consolida o trabalho como um marco singular, capaz de ultrapassar o meio científico e dialogar com públicos variados.
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Brasileiro é aceito em sociedade científica que já teve Einstein como membro
Recentemente, Moraes foi aceito na Sigma Xi, uma das sociedades de pesquisa mais tradicionais do mundo, fundada em 1886 nos EUA. A instituição já teve entre seus membros Albert Einstein, Richard Feynman e Enrico Fermi, somando mais de 200 cientistas premiados com o Nobel.

“Fazer parte dessa comunidade representa um importante reconhecimento aos esforços que venho dedicando, ao longo dos anos, como pesquisador independente” disse o pesquisador. “Espero que essa filiação possibilite novas oportunidades de colaboração científica e publicações de impacto”.
Conhecido internacionalmente por seus estudos em computação gráfica 3D, Moraes já entrou para o Guinness World Records, pela criação e impressão em 3D do primeiro casco de tartaruga do mundo, um projeto que ajudou um jabuti chamado Fred a se recuperar após ter perdido sua carapaça original num incêndio.
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Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/08/29/ciencia-e-espaco/brasileiro-lidera-ranking-mundial-de-influencia-em-arqueologia/