
O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para um dos julgamentos mais aguardados e delicados da história recente do Brasil. A partir de 2 de setembro, a Primeira Turma da Corte analisará o processo conhecido como “trama golpista”, no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete de seus ex-auxiliares respondem por tentativa de manter o poder à força e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O interesse pelo julgamento é inédito: segundo o portal g1, 501 jornalistas foram credenciados para acompanhar as sessões, enquanto mais de 3,3 mil cidadãos se inscreveram para assistir presencialmente. Apenas 150 lugares foram disponibilizados ao público, que será sorteado para ocupar o plenário da Segunda Turma. Para a imprensa, haverá 80 assentos por ordem de chegada na sala da Primeira Turma, onde o julgamento ocorrerá.
As sessões estão marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, quando devem ser anunciadas as sentenças.
Os ministros e os réus
A Primeira Turma é composta por Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux. Todos os réus negaram envolvimento em qualquer conspiração golpista durante os interrogatórios de junho. A defesa argumenta que não houve ações concretas para impedir a posse de Lula e que a acusação da Procuradoria-Geral da República seria infundada.
Além de Bolsonaro, estão entre os réus ex-ministros e aliados próximos, acusados de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de Direito e tentativa de golpe.
Segurança em alerta máximo
O clima de tensão em Brasília levou à elaboração de um esquema de segurança sem precedentes. A partir de 1º de setembro, a Praça dos Três Poderes, que concentra o STF, o Congresso e o Palácio do Planalto, será interditada.
No dia do julgamento, a Polícia Militar do Distrito Federal mobilizará tropa de choque, Bope, Comando de Operações Táticas e cães farejadores. Policiais judiciais e reforços de outros estados também estarão na capital. O acesso ao prédio do Supremo será controlado por detectores de metais, e a Corte mantém contato direto com a Secretaria de Segurança do DF para ajustar protocolos de prevenção.
Pressão política e internacional
O julgamento tem repercussões muito além das fronteiras brasileiras. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por tentativa de coação de ministros e instituições, e ainda não confirmou se comparecerá às sessões. Enquanto isso, seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi acusado por Lula de “traição à pátria” após defender nos Estados Unidos represálias contra o Brasil em razão do processo.
A crise se intensificou após o presidente dos EUA, Donald Trump, aliado de Bolsonaro, anunciar um tarifaço de 50% contra produtos brasileiros e justificar a medida como resposta a uma “caça às bruxas”. Trump também anunciou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e outros magistrados do STF. Em resposta, Lula foi enfático: o Brasil “não negocia sua soberania”.
Olhares do mundo
O julgamento brasileiro ganhou destaque na imprensa internacional. Nesta semana, a revista The Economist estampou Bolsonaro na capa caracterizado como um dos extremistas que invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, nos EUA, em tentativa de barrar a posse de Joe Biden. Para a publicação, ao julgar a tentativa de golpe, o Brasil oferece uma lição de resiliência democrática ao próprio sistema político norte-americano.
Com segurança reforçada, atenção da mídia global e riscos políticos internos e externos, o julgamento da “trama golpista” no STF se desenha como um divisor de águas na história democrática brasileira.
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Fonte: https://agendadopoder.com.br/julgamento-de-bolsonaro-tera-mais-de-500-jornalistas-credenciados-seguranca-maxima-e-atencao-mundial/