30 de agosto de 2025
Visitante interestelar que cruza o Sistema Solar é o maior
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Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o cometa 3I/ATLAS, terceiro objeto interestelar já observado no Sistema Solar, descoberto em 1º de julho, foi examinado recentemente pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, que detectou uma composição química extremamente incomum. Outra análise, feita com base em dados coletados por um observatório terrestre, reforça que este corpo celeste é mesmo diferente de tudo o que já se viu.

Quando os cometas se aproximam do Sol, seu núcleo gelado aquece e libera gases. Esse processo, chamado de desgaseificação, é responsável pela formação da cauda e do halo de poeira e gás, conhecidos como coma. No caso do 3I/ATLAS, o Webb detectou dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono, vapor d’água, gelo e até um gás raro chamado sulfeto de carbonila.

O cometa interestelar 3I/ATLAS foi analisado pela visão infravermelha do Telescópio Espacial James Webb, que descobriu uma composição química muito peculiar. Crédito: NASA/Telescópio Espacial James Webb

O que mais chamou a atenção foi uma proporção muito maior de CO2 em relação à água, algo extremamente raro em cometas. Essa discrepância pode revelar pistas importantes sobre a origem do objeto e as condições do ambiente em que ele foi formado.

Além disso, o Very Large Telescope (VLT), uma instalação do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile, detectou a presença de níquel neutro (não ionizado) sem sinais de ferro, uma configuração inesperada e sem explicação clara. Normalmente, esses dois metais aparecem juntos em cometas. Isso sugere um processo químico jamais visto antes em corpos celestes.

Imagem do 3I/ATLAS, obtida pelo VLT em 23 de agosto de 2025, mostra que o objeto está desenvolvendo uma cauda cometária clássica. Crédito: ESO / Very Large Telescope / T. Puzia

Segundo os dados do VLT, o 3I/ATLAS libera cerca de 5 gramas de níquel e 20 gramas de cianeto por segundo. Esses índices tendem a crescer à medida que ele se aproxima do Sol, tornando-o ainda mais ativo.

Observações dão pistas valiosas sobre o objeto interestelar

Tanto o estudo com base nas observações do JWST quanto os resultados fornecidos pelo VLT estão disponibilizados na plataforma de pré-impressão arXiv e ainda aguardam revisão por pares para validação. Mesmo assim, a comunidade científica já enxerga nessas descobertas pistas valiosas para entender como esse visitante interestelar se formou.

Membros das equipes afirmam que as características detectadas no 3I/ATLAS são fruto de sua longa jornada no espaço interestelar. Esse percurso teria moldado sua composição de forma única, diferente de tudo o que circula em órbita ao redor do Sol.

“Acabamos de abrir a porta para um mundo totalmente novo de química”, disse Thomas Puzia, astrônomo da Pontifícia Universidade Católica do Chile, coautor do artigo sobre a presença de níquel no objeto, à revista Smithsonian Magazine.

O mistério do níquel atômico encontrado no 3I/ATLAS pode ter ligação com moléculas chamadas de níquel tetracarbonil, altamente instáveis quando expostas à luz ultravioleta. Crédito: Imagem gerada por IA/ChatGPT

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Segundo a equipe do JWST, a coma do 3I/ATLAS apresenta uma das maiores proporções de CO2 em relação à água já registrada em qualquer cometa. Para a coautora Stefanie Milam, astroquímica da NASA, isso pode ser resultado de milhões de anos exposto à radiação cósmica. Essa radiação teria formado uma espécie de “casca endurecida” de gelo de CO2 em sua superfície, que agora começa a evaporar com a aproximação do Sol.

Já o mistério do níquel neutro (ou níquel atômico) pode ter ligação com moléculas chamadas de níquel tetracarbonil, altamente instáveis quando expostas à luz ultravioleta. Essas moléculas se quebrariam facilmente, liberando níquel e monóxido de carbono, o que explicaria a intensa atividade química observada no objeto.

Cometa 3I/ATLAS teria origem tecnológica?

Alguns cientistas acreditam que parte desse material pode ser resquício de sua formação original, revelando em que região de seu antigo sistema estelar ele teria surgido. Outros, como o polêmico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, levantam hipóteses mais ousadas – como a possibilidade de ser uma tecnologia alienígena. “Essa anomalia é mais uma pista para uma possível origem tecnológica do 3I/ATLAS?”, escreveu Loeb em seu blog. “O artigo sugere que a formação química ocorre através do canal de carbonila de níquel, um processo extremamente raro em cometas, mas uma técnica padrão no refino industrial de níquel”.

De qualquer modo, a maioria dos pesquisadores considera mais provável que se trate de fenômenos naturais, ainda pouco compreendidos. Objetos interestelares são raros, e cada novo visitante oferece uma chance única de aprender mais sobre a química cósmica.

O cometa 3I/ATLAS continuará visível até setembro. Depois, ficará muito próximo do Sol para ser observado, mas deve reaparecer no fim de novembro ou início de dezembro, trazendo novas oportunidades de investigação.

O post Níquel atômico em visitante interestelar levanta suspeitas apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/08/29/ciencia-e-espaco/niquel-atomico-em-visitante-interestelar-levanta-suspeitas/