30 de agosto de 2025
Mandíbulas de “estilingue”: a estranha mecânica de caça do tubarão-duende
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Considerado um dos tubarões mais estranhos do mundo, o tubarão-duende (Mitsukurina owstoni) chama a atenção por uma característica singular: possui as mandíbulas mais rápidas já registradas entre os peixes, capazes de se projetar para fora do rosto como um estilingue a velocidades de aproximadamente 3,1 metros por segundo.

Suas mandíbulas alcançam velocidades de aproximadamente 3,1 metros por segundo (Imagem: 9bdesign/Shutterstock)

A espécie foi descoberta em 1898, nas águas profundas do Japão e, ainda hoje, habita regiões escuras do oceano, entre 250 e mais de 900 metros de profundidade, na chamada zona bentopelágica. Nesse ambiente inóspito, onde sobrevivem peixes, cefalópodes e crustáceos, o tubarão-duende se destaca por um mecanismo de caça extremamente eficaz.

As mandíbulas protuberantes podem se estender de 8,6% a 9,4% do comprimento total do corpo do animal, permitindo capturar presas que, de outra forma, estariam fora de alcance.

Essa adaptação é tão eficiente que mesmo presas rápidas não conseguem escapar, apesar da natação relativamente lenta da espécie.

Um estudo de 2016, publicado na Nature, analisou as primeiras filmagens do tubarão-duende se alimentando e batizou o mecanismo como “alimentação por estilingue” (slingshot feeding).

A pesquisa concluiu que se trata da velocidade mais alta já registrada em qualquer peixe, superando, inclusive, outras espécies de tubarões quanto à extensão das mandíbulas.

Imagens de vídeo de um tubarão-duende comendo
Imagens de vídeo de um tubarão-duende comendo mostram suas mandíbulas salientes (o tempo decorrido é mostrado em milissegundos) (Imagem: NHK; Ilustrações: Universidade de Hokkaido)

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Outros destaques do tubarão-duende

  • Além da impressionante boca retrátil, o tubarão-duende possui outro recurso fundamental para a caça em águas profundas: um focinho extremamente sensível, recoberto por eletroreceptores conhecidos como ampolas de Lorenzini;
  • Esses órgãos detectam sinais elétricos mínimos, como batimentos cardíacos ou atividade nervosa de animais próximos, facilitando a localização de presas em ambientes de baixa visibilidade;
  • Uma vez que identifica o alvo, o animal utiliza um conjunto duplo de ligamentos nas articulações mandibulares para projetar as mandíbulas para frente;
  • Curiosamente, durante a retração, o tubarão precisa abrir e fechar a boca, embora ainda não se saiba ao certo o motivo desse comportamento;
  • Quando as mandíbulas estão retraídas, elas ficam posicionadas b, fazendo com que, em algumas imagens, o tubarão-duende pareça relativamente normal, enquanto, em outras, assume o visual grotesco que lhe rendeu fama.

“Dóceis” com humanos?

Apesar da aparência assustadora, não há registro de ataques fatais de tubarão-duende contra humanos, segundo o IFLScience. Especialista em águas profundas, a espécie raramente cruza com pessoas, mantendo-se no limite da observação científica — sempre à espreita, mas distante do nosso alcance.

Exemplo de tubarão-duende
Apesar da aparência assustadora, não há registro de ataques fatais de tubarão-duende contra humanos (Imagem: ShahidPhotogharapher/Shutterstock)

Tubarões-brancos escondem segredo que desafia a evolução

Os grandes tubarões-brancos (Carcharodon carcharias), temidos predadores dos oceanos, guardam um segredo genético que está surpreendendo os cientistas. Um estudo publicado em 2024 na PNAS revelou que, ao contrário do que se acreditava, esses animais não formam uma única espécie global, mas sim três grupos distintos, cada um com características genéticas únicas. A descoberta, no entanto, trouxe mais perguntas do que respostas.

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/08/29/ciencia-e-espaco/mandibulas-de-estilingue-a-estranha-mecanica-de-caca-do-tubarao-duende/