Numa ação de intimidação, policiais invadiram a sede do partido Unidade Popular (UP) e casas de ativistas do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) em Santa Catarina, na manhã da quinta-feira (27).
A chamada “Operação Incursio” foi realizada semanas após o governador Jorginho Mello divulgar vídeo contra o Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, do governo federal, enquanto segurava um bastão de beisebol de madeira.
“Quebraram a porta da sede do partido e saíram levando computadores, materiais, cadernos e celulares. Quando invadiram, a gente não estava lá. Se eles quisessem fazer uma busca, nós temos a chave. Não precisava dessa truculência toda. Não recebemos intimação, nada. O documento que apresentaram na portaria do prédio fala em busca na sede do MLB”, relata a presidente do UP em Santa Catarina, Júlia Andrade.
Em nota enviada à imprensa, a PMSC afirmou que a invasão foi justificada pela participação de militantes do MLB e da UP em manifestações contra a escala 6×1 num shopping, em abril, contra a fome em um supermercado; em maio e a ocupação de um prédio abandonado por famílias sem teto. Além disso, a PM acusa os militantes e terem tentado impedir um evento na Univali que contava com a presença de deputados e outras autoridades fascistas reconhecidas por perseguirem militantes de esquerda pelo país.
“É uma ação absurda, de caráter fascista, autoritária e injustificável. Policiais invadirem a sede de um partido devidamente constituído nesse país. Isso é ação típica de Estado de exceção, de ditadura”, destacou Leonardo Péricles, presidente nacional da UP, ao portal A Verdade.
De acordo com matéria do ICL, em resumo distribuído momentos antes da ação, a PM afirma que os militantes são “suspeitos de participação e liderança em um movimento que, segundo as investigações, utilizava o direito de manifestação para praticar atos que extrapolavam os limites legais”, seja lá o que isso quer dizer.
No vídeo que divulga criticando o Plano de Proteção ao defensores dos direitos humanos, elaborado para garantir que servidores e ativistas contem com escolta e proteção das forças de segurança, Jorginho – como quem usa chapéu de alumínio – afirma que se trata de uma medida para proteger, supostamente, o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST). Sem vergonha, como quem busca dar um tom de ameaça, o bolsonarista balança o bastão de beisebol enquanto diz “tá bom, então. Invasores terão a escolta da nossa polícia, sim. Pode deixar”.
“Trata-se da tentativa de criminalizar a luta social, especialmente porque também invadiram casas de militantes do MLB, um movimento com mais de duas décadas de ação e luta por moradia. Quando fazem isso, na verdade, estão protegendo a grande especulação imobiliária, aqueles que faturam em cima do preço absurdo dos aluguéis, da especulação. É essa inversão de valores que o fascismo promove: tenta inverter a realidade, criminalizando movimentos sociais e partidos que estão, de fato, junto à classe trabalhadora”, completou Júlia.
Até o encerramento desta matéria não havia sido divulgado pela PM ou governo de Jorginho Mello (PL) mandados que justifiquem as ações.
Fonte: https://horadopovo.com.br/governador-de-sc-tenta-intimidar-militantes-e-manda-policiais-invadirem-sede-do-partido-up/
