Saber quando um sintoma é grave é uma das maiores dúvidas de quem busca atendimento médico. Muitas vezes, as pessoas recorrem a ferramentas digitais ou até mesmo a chatbots de inteligência artificial para tentar entender o que estão sentindo.
No entanto, por que a IA erra nesses casos? É justamente nesse ponto que surge a importância de compreender quais sinais realmente exigem atenção imediata.
Afinal, a tecnologia pode até ajudar em alguns aspectos, mas não substitui a avaliação médica. Ao longo deste artigo, você vai entender quais sintomas indicam risco grave, em que situações é necessário acionar uma ambulância e por que a inteligência artificial ainda falha ao tentar identificar esses casos.
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Quando um sintoma de saúde é grave?
Muito além das suposições de um chatbot, apenas médicos ou profissionais de saúde podem diagnosticar e decidir sobre tratamentos ou emergências. No entanto, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre quando ir ao médico. Afinal de contas, quando um sintoma é realmente grave? Por que a IA erra, nesses casos?
Para entender, é preciso identificar o que é considerado grave sob o ponto de vista médico. Segundo o Dr. Paulo Schmitz, chefe do Serviço de Emergência do Hospital Moinhos de Vento, em artigo publicado pela instituição, procurar o pronto-socorro sem demora é essencial quando surgem sinais que podem indicar risco grave à saúde, como:
- Sensação de aperto ou dor forte no peito, podendo irradiar para pescoço ou braços;
- Cefaleia súbita e intensa, diferente das dores habituais;
- Episódios de desmaio, vertigem ou fraqueza inesperada;
- Mudança repentina no estado de consciência, como confusão mental;
- Perda de força ou dormência em alguma parte do corpo;
- Falta de ar ou dificuldade para respirar;
- Presença de sangue em vômitos ou na tosse;
- Dor abdominal aguda e persistente;
- Diarreia ou vômitos contínuos;
- Dor súbita em membros sem relação com esforço ou trauma;
- Lesões traumáticas recentes, especialmente em ossos e músculos;
- Ferimentos abertos ou contusos que necessitam avaliação imediata.
Em que casos, deve-se chamar uma ambulância?

Situações que exigem acionar uma ambulância De acordo com orientações do Ministério da Saúde, o atendimento móvel deve ser solicitado imediatamente em casos que representem risco iminente à vida ou à integridade física. Entre os principais exemplos estão:
- Dificuldade aguda para respirar ou falência cardíaca repentina;
- Intoxicações, envenenamentos ou ingestão de substâncias nocivas;
- Parto em andamento com ameaça à vida da mãe ou do bebê;
- Tentativas de suicídio;
- Acidentes graves, como afogamentos, queimaduras extensas, choques elétricos, quedas, colisões de trânsito, atropelamentos, soterramentos, desabamentos ou agressões com armas de fogo ou armas brancas;
- Suspeita de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC), caracterizados por dor intensa no peito, fala alterada, pressão elevada, perda de força em um lado do corpo ou desvio da boca;
- Crises convulsivas;
- Perda súbita de movimentos em braços ou pernas;
- Reações alérgicas graves (anafilaxia);
- Traumas com sangramento intenso ou traumatismo craniano acompanhado de perda de consciência;
- Necessidade de transferência de pacientes em estado crítico entre hospitais;
- Qualquer outra situação de urgência ou emergência que envolva risco de morte, sequelas graves ou sofrimento intenso.
Por que a IA erra em identificar sintomas graves?

Embora os sistemas de inteligência artificial tenham avançado em áreas como radiologia e cardiologia, eles ainda apresentam limitações importantes. Por isso, o diagnóstico médico é o mais indicado.
Afinal, ele não depende apenas de dados objetivos, mas também da integração de fatores como histórico clínico, exame físico, contexto social e cultural do paciente. Sem essa visão global, a IA pode gerar respostas incompletas ou equivocadas.
Segundo o médico emergencista Yuri Castro, da Santa Casa de São Joaquim da Barra (SP) ao Metrópoles, a falta de clareza sobre as fontes utilizadas pela IA torna o uso de chatbots ainda mais arriscado quando o assunto é tentar descobrir se o sintoma é grave.
Além disso, a especialista em inteligência artificial Victoria Luz ao Metrópoles, também destaca que, apesar dos avanços, os algoritmos ainda falham em perguntas abertas, casos raros ou situações complexas, onde menos da metade das respostas geradas são realmente corretas.
Por isso, há grande chance de a inteligência artificial não reconhecer corretamente situações graves. Diferente dos médicos, os chatbots não realizam exame físico e se baseiam apenas nas informações relatadas pelo paciente. Quando esses dados são insuficientes ou confusos, a avaliação pode ser equivocada e subestimar a gravidade do quadro.
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Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/11/29/medicina-e-saude/como-saber-quando-um-sintoma-e-grave-e-por-que-a-ia-ainda-erra-nesses-casos/
