30 de novembro de 2025
iniciativa brasileira de combate à fome é apresentada em Roma
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O Instituto CEU Estrela Guia, entidade que atua no combate à fome na capital paulista, levou a Roma uma das iniciativas comunitárias mais importantes do país na área da segurança alimentar. Representado por Pai Denisson D’Angiles e Mãe Kelly D’Angiles, lideranças da Umbanda que desenvolvem ações em parceria com o padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, e com outras referências religiosas comprometidas com essa pauta, o instituto integrou a agenda oficial promovida pelo Itamaraty.

O encontro, que marcou a reabertura da Embaixada do Brasil na capital italiana e reuniu mais de 1.500 pessoas no último dia 12 na capital italiana, reforçou o compromisso brasileiro com a segurança alimentar e ampliou o diálogo sobre políticas públicas voltadas à proteção social.

A comitiva também foi recebida pelo embaixador Everton Vargas, representante brasileiro junto ao Vaticano, e pelo ministro Carlos Eduardo da Cunha, da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores. As lideranças reconheceram que, sob o atual governo, o país voltou a sair do Mapa da Fome, mas alertaram que a insegurança alimentar ainda demanda respostas estruturais do Estado, articuladas com o trabalho das organizações populares que seguem na linha de frente do combate à fome.

A audiência contou com uma saudação do Papa Leão XIV, que acolheu o apelo por atenção urgente às famílias brasileiras mais vulneráveis. Ao destacar a importância de iniciativas que unem fé, solidariedade e ação coletiva, sua mensagem reforçou que enfrentar a fome não é apenas uma tarefa humanitária, mas uma responsabilidade política que exige compromisso permanente de governos.

Criado a partir de tradições comunitárias e de princípios de acolhimento espiritual, o Instituto CEU Estrela Guia mantém hoje 22 cozinhas solidárias em diferentes regiões do país. Esses espaços nasceram como extensão das atividades religiosas e sociais conduzidas pelo terreiro fundado pelo casal D’Angiles, expandindo-se ao longo dos anos com apoio de voluntários e parceiros locais.

Nas cozinhas, o alimento não é apenas um prato servido: é instrumento de organização comunitária, formação cidadã e cuidado coletivo. As unidades funcionam como escolas de convivência, onde crianças, jovens e adultos participam de ações educativas, mutirões, cursos e momentos de partilha. Ali, a comida chega acompanhada de escuta, acolhimento e construção de vínculos.

“As 22 cozinhas solidárias são escolas de vida. Cada prato servido é uma lição de cidadania e dignidade”, afirmou Pai Denisson. “Mas é preciso políticas públicas permanentes para que a partilha do alimento seja sustentada e alcance todos os brasileiros”, defende.

Mãe Kelly reforça que as cozinhas surgiram para atender uma urgência social cada vez mais visível: “São locais de acolhimento, onde o alimento é partilhado como gesto de amor e esperança”. Para ela, a presença em Roma demonstra que a experiência brasileira pode inspirar organismos internacionais: “O convite do Itamaraty nos responsabiliza a mostrar que o Brasil pode ser referência mundial na luta contra a fome, desde que políticas públicas fortaleçam e multipliquem essas iniciativas.”

A missão na Itália aproximou o instituto de organismos internacionais dedicados à segurança alimentar, como a FAO – braço das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – e fortaleceu o diálogo inter-religioso. Ao final da agenda, Pai Denisson e Mãe Kelly convidaram o pontífice a visitar o Brasil e conhecer de perto o trabalho das cozinhas solidárias, espaços que, além de garantir refeições, reafirmam a força da organização popular e da fé como motores de transformação social.

Cozinha solidária é uma ação organizada da sociedade civil para combater a fome, produzindo e oferecendo refeições gratuitas para pessoas em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar. Elas atuam como um ponto de apoio social e nutricional, muitas vezes recebendo alimentos da agricultura familiar e, em alguns casos, recebendo apoio de programas do governo, como o Programa Cozinha Solidária criado em 2023.

Com atuação enraizada nas periferias e compromisso com a dignidade humana, o Instituto CEU Estrela Guia se afirma, agora também no cenário internacional, como uma referência construída a partir da organização popular e da defesa do direito à alimentação, um contraponto necessário às desigualdades que ainda marcam o país, avaliam seus idealizadores

Fonte: https://horadopovo.com.br/cozinhas-solidarias-comunitarias-iniciativa-brasileira-de-combate-a-fome-e-apresentada-em-roma/