Entre 2010 e 2022, quando o IBGE realizou o último Censo Demográfico no Brasil, a taxa de analfabetismo da população indígena caiu de 23,4% para 15,1%. É uma queda que representa mais que o dobro da média nacional, que é de 7%. Ao contrário de outros problemas sociais enfrentados pelos aborígenes brasileiros, foi no Norte que o IBGE registrou a queda maior no analfabetismo, cujas taxas variam consideravelmente entre as diferentes regiões e etnias. Contudo, os analfabetos em terra indígenas, são 20,80% da população, o que significa um enorme desafio específico quando se fala de acesso à educação formal nessas áreas.
Esses dados remetem ao reconhecimento do esforço de entidades ambientalistas, pesquisadores e governo federal com atuação em inúmeras frentes que resultam no protagonismo dos povos indígenas em sair da invisibilidade para conquistar espaços em diferentes áreas artísticas, culturais, literárias, políticas e econômicas. As políticas públicas voltadas para a educação tornaram-se tão presentes nas comunidades indígenas que o governo não apenas criou um ministério exclusivo dos povos originários como nomeou a maranhense Sônia Guajajara para comandá-lo. Nesta quinta-feira, Lula assinou decreto criando duas universidades inéditas na América Latina, exclusivas para os povos originários e para os Esportes.
Com a criação da Unind e da UFEsporte, o Brasil passará a ter 71 universidades federais, uma das maiores redes de ensino superior público do mundo. A iniciativa também marca a ampliação do acesso à educação superior pública e gratuita, alinhada às prioridades de governo para a promoção da equidade, da inclusão e do desenvolvimento humano. Os grupos técnicos interministeriais trabalharão no projeto ao longo de 2026. São duas áreas que têm tudo a ver com o desenvolvimento social e o respeito à soberania do país onde ela nunca esteve presente. Trata-se de uma iniciativa que colocará o Brasil num patamar elevado perante o mundo no desenvolvimento de da área mais formidável neste século, os esportes, e no reconhecimento do valor cultural e histórico dos ancestrais no continente latino-americano.
De um lado, o Brasil era pejorativamente conhecido não pelo enorme potencial econômico e historicamente explorado no sentido lato sensu pelos colonizadores, mas sim como “país do futebol”. Os europeus que saquearam as riquezas brasileiras prefeririam a expressão estereotipada de ranço racista como “terra de índio”. No entanto, a palavra “índio” foi corretamente mudada para indígena, por tratar-se de uma generalização pejorativa, criada por eles mesmos: os colonizadores para reduzir a importância da diversidade de povos originários do Brasil. “Indígena” é um termo respeitoso que significa “originário da terra”, usado para reconhecer as muitas culturas, línguas e identidades.
Até a Fundação Nacional do Índio (Funai) mudou de nome para Fundação Nacional dos Povos Indígenas, depois que a ciência antropológica reconheceu que a palavra “Índio” não passou de um erro geográfico de Cristóvão Colombo que, ao desembarcar na América, achou que chegara às Índias, na Ásia. Portanto, nada a ver com a palavra indígena – que representa pluralidade de originários da terra. Para Sônia Guajajara a nova universidade é o resultado concreto dos esforços de professores e professoras indígenas, há décadas batalhando por uma educação pública que não exclua, mas complemente saberes ancestrais produzidos pelos não indígenas”. Não é fácil mudar desvios culturais, mas vale lutar pela sua retidão.
Vale destacar que Lula, cujo primeiro diploma a receber foi o de presidente do Brasil em 2003, quando assumiu havia 42 universidades federais e 121 campi. Hoje as federais são 69, duas criadas para 2026 e 314 campi. A Universidade dos Esportes é resultado de esforço do ministro dos Esportes, André Fufuca (PP-MA). Portanto, colocar a Universidade dentro dos esportes significa formação profissional de alto nível, ciência e tecnológica a serviço de uma área fundamental para atletas, gestores, cientistas e desenvolvimento de políticas na inclusão social. Fufuca e Lula já podem colocar no currículo algo mais que ficará para sempre na história do Brasil.
Fonte: https://oimparcial.com.br/brasil/2025/11/dois-ministros-do-ma-e-duas-universidades/
