Um astrofotógrafo registrou um fenômeno raro envolvendo o Telescópio Espacial Hubble: a passagem do observatório diante do Sol, vista da Terra como uma pequena silhueta cruzando a superfície solar em altíssima velocidade. O registro foi feito em dezembro de 2025 e chamou atenção pela precisão necessária para capturar um evento que dura pouco mais de um segundo.
A gravação mostra o Hubble atravessando o disco solar a cerca de 27 mil km/h, em um alinhamento extremamente específico. O resultado é um vídeo curto, mas tecnicamente complexo, que evidencia tanto as limitações quanto as possibilidades da astrofotografia de trânsito solar.
Registro feito em Porto Rico
O vídeo foi capturado pelo astrofotógrafo Efrain Morales no dia 15 de dezembro de 2025, a partir da cidade de Aguadilla, em Porto Rico. Nas imagens, o Telescópio Espacial Hubble aparece como uma silhueta bem definida passando em frente à mancha solar identificada como AR4308.
Do ponto de vista do observador, todo o evento durou apenas 1,01 segundo. Esse intervalo extremamente curto não deixou margem para erros, exigindo que o posicionamento, o tempo e a configuração dos equipamentos estivessem corretos desde o início da captura.
Alinhamento raro e janela limitada
O Hubble orbita a Terra a uma altitude aproximada de 547 quilômetros, completando uma volta completa a cada 95 minutos. Para que ele seja visto cruzando o Sol, não basta apenas saber o horário do trânsito: é necessário estar exatamente no local certo.
As previsões indicavam que o alinhamento só seria visível dentro de um corredor terrestre com 7,54 quilômetros de largura. Fora dessa faixa, o trânsito simplesmente não poderia ser observado. Mesmo dentro dessa área, o telescópio leva pouco mais de um segundo para atravessar o disco solar do ponto de vista do observador.

Planejamento e equipamentos especializados
Para conseguir o registro, Morales utilizou software de previsão de trânsitos, que permitiu calcular com precisão o trajeto do Hubble diante do Sol. A isso, ele combinou um sistema de captura com alta taxa de quadros, fundamental para não perder o momento exato do alinhamento.
O equipamento incluiu um telescópio solar Lunt LS50THa, montado em uma base CGX-L, além de uma câmera ASI CMOS e lentes Cemax 2x Barlow. Trata-se de um conjunto voltado especificamente para observações solares seguras e detalhadas, em que cada quadro pode ser decisivo. O próprio registro reforça a importância de nunca observar ou fotografar o Sol sem equipamentos adequados.
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Desafio maior que o da Estação Espacial
Embora trânsitos solares da Estação Espacial Internacional (ISS) sejam relativamente mais conhecidos, o caso do Hubble é consideravelmente mais difícil. O telescópio espacial mede cerca de 13 metros de comprimento, sendo aproximadamente dez vezes menor que a ISS.

Esse tamanho reduzido torna a silhueta muito mais difícil de distinguir contra o brilho intenso da superfície solar. Por isso, registros como o feito por Morales são raros e exigem um nível elevado de planejamento, precisão e controle técnico.
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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/08/ciencia-e-espaco/video-mostra-hubble-cruzando-o-sol-em-alinhamento-raro/
