10 de janeiro de 2026
Petróleo supera soja, lidera exportações brasileiras e projeta novo recorde
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Depois da surpresa registrada em 2024, o petróleo brasileiro repetiu o desempenho em 2025 e voltou a superar a soja como principal produto da pauta de exportações do país, informa reportagem do portal UOL. O resultado veio apesar da forte queda do preço internacional do barril e reforça a expectativa de um novo recorde de produção e vendas externas em 2026, impulsionado pela entrada em operação de plataformas bilionárias no pré-sal.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 44,6 bilhões em óleos brutos de petróleo. O valor foi apenas 0,7% inferior ao de 2024, reflexo direto da desvalorização de 9,8% do preço do barril do tipo Brent no mercado internacional. Ainda assim, o desempenho foi suficiente para manter o petróleo no topo do ranking das exportações brasileiras pelo segundo ano consecutivo.

“Este valor [US$ 44,6 bi] ratifica a resiliência desta indústria, que segue superando complexos como o da soja e o do minério de ferro”, avaliou o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. Para a entidade, “o resultado consolida” o “protagonismo” do setor nas exportações.

Produção maior compensou queda de preços

A liderança do petróleo foi sustentada pelo aumento expressivo da produção e do volume exportado. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, a extração cresceu 8,6% nos 12 meses encerrados em novembro. Já o volume vendido ao exterior aumentou 10% no acumulado de janeiro a dezembro, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

O desempenho voltou a deixar a soja em segundo lugar, após oito anos consecutivos de liderança do grão entre 2016 e 2023. Em 2025, as exportações de soja somaram US$ 43,5 bilhões, abaixo do petróleo.

A produção de soja cresceu 16% com a safra recorde de 2024/2025, mas o avanço no volume exportado foi de 9,5%. Para a próxima safra, 2025/2026, a Companhia Nacional de Abastecimento projeta novo recorde, com alta de 3,2% e produção estimada em 177,1 milhões de toneladas.

No caso do petróleo, além do crescimento de 8,6% na produção, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo estima que o Brasil possa elevar a extração em até 13% em 2026, alcançando cerca de 4,5 milhões de barris por dia.

Ambos os setores, porém, enfrentaram o mesmo desafio: a queda contínua dos preços internacionais. Entre 2022 e 2025, o barril de petróleo recuou 33%, de US$ 101 para US$ 67. No mesmo período, o bushel da soja desvalorizou 34%, passando de US$ 15,5 para US$ 10,2, efeito do excesso de oferta global.

Novas plataformas impulsionam o pré-sal

Maior produtor de petróleo da América Latina, o Brasil consolidou-se em 2025 como o sétimo maior exportador mundial. A projeção é que o país alcance a quinta ou sexta posição até o fim de 2026, segundo estimativas do ex-presidente da Petrobras”,”José Mauro Ferreira Coelho”, confirmadas por relatório da Opep.

Em 2025, a produção média foi de 3,98 milhões de barris por dia, com pico de 4,9 milhões em novembro. O avanço é atribuído principalmente ao aumento da extração nos campos do pré-sal, viabilizado pela entrada de novas plataformas.

No último dia de 2025, entrou em operação a plataforma P-78, na Bacia de Santos. Com custo de US$ 2,4 bilhões, ela tem capacidade para produzir 180 mil barris por dia. Ainda no primeiro semestre deste ano, deve começar a operar a P-79, também em Santos, com capacidade de 100 mil barris diários.

Além dessas, outras plataformas reforçaram a produção recentemente. A Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, opera desde fevereiro de 2025 e pode produzir até 225 mil barris por dia, com contrato de aluguel de US$ 1,6 bilhão por 26 anos. A Alexandre de Gusmão, em Mero, iniciou atividades em maio, com capacidade de 180 mil barris diários e custo de US$ 3,3 bilhões por 22,5 anos.

Em 2024, entraram em operação a Maria Quitéria, em Jubarte, com capacidade de 100 mil barris por dia e aluguel de US$ 2,3 bilhões, e a Marechal Duque de Caxias, também em Mero, capaz de produzir 180 mil barris diários, ao custo aproximado de US$ 1,6 bilhão.

Expectativa oficial e cenário externo

Para o governo federal, o conjunto de investimentos é suficiente para sustentar o crescimento da produção e das exportações em 2026. “Um dos fatores que nos leva a esperar esse aumento são duas plataformas de petróleo que o Brasil importou (…) com a capacidade operacional muito grande”, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, durante a divulgação da balança comercial no dia 6.

Alckmin também minimizou o risco de que uma eventual expansão da produção venezuelana, em meio a mudanças políticas no país sob o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, represente ameaça imediata ao Brasil. “A Venezuela tem uma grande reserva de petróleo [a maior do mundo]. Agora, essas coisas [aumento de produção] não são feitas em 24 horas. Você também precisa investimento”, disse.

Segundo a Consultoria Gep Costdrivers, a concorrência venezuelana só deve ganhar relevância a partir do próximo ano. “Investimentos externos no setor de petróleo venezuelano dependem de uma estabilização política de longo prazo”, afirma relatório da empresa, que projeta ao menos dois anos para que um aumento significativo das exportações do país seja percebido no mercado.

Para o Instituto Brasileiro de Petróleo, o Brasil reúne condições para manter o ritmo de crescimento. “Em um mundo marcado por volatilidade geopolítica, nossa produção sustentável —especialmente no pré-sal, que emite metade do carbono da média mundial— oferece a confiabilidade que o mercado global demanda”, afirmou Roberto Ardenghy, presidente do IBP.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/petroleo-supera-a-soja-lidera-exportacoes-brasileiras-e-projeta-novo-recorde-em-2026/