O avanço do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi o principal fator a influenciar o mercado financeiro brasileiro nesta sexta-feira (9). Segundo reportagem da CNN Brasil, a aprovação do pacto pelas instâncias europeias trouxe um sinal positivo aos investidores, contribuiu para o aumento do apetite por risco e ajudou a pressionar o dólar para baixo no Brasil. A moeda estadunidense encerrou o dia em queda de 0,42%, cotada a R$ 5,36.
Considerado um dos acordos comerciais mais relevantes do mundo, o tratado encerra uma negociação que se arrastou por cerca de 25 anos e cria a maior área de livre comércio do planeta em termos de movimentação financeira, reunindo mais de 700 milhões de habitantes dos dois lados do Atlântico. O mercado reagiu com otimismo à perspectiva de ampliação do comércio, aumento de investimentos e maior integração entre as economias sul-americanas e europeias.
Redução de tarifas e alcance do acordo
O texto do acordo prevê a redução de impostos para 91% dos produtos importados pelo Mercosul a partir da Europa e para 92% dos itens exportados pelo bloco sul-americano para os países europeus. A eliminação das tarifas será gradual, ao longo de um período estimado entre 10 e 15 anos. A expectativa é de uma economia anual de cerca de 4 bilhões de euros em tributos de importação.
Entre os produtos europeus que terão as alíquotas zeradas estão vinhos, atualmente taxados em 27%, destilados, que hoje pagam 35%, e chocolates, com tarifa de 20%. Em contrapartida, os países do Mercosul reconhecerão 350 denominações de origem de alimentos e bebidas europeias, como champanhe e queijos específicos. Do lado europeu, serão estabelecidas cotas para a importação de produtos do bloco sul-americano, como carne bovina, frango, suínos, açúcar, etanol e outros itens do agronegócio.
Impacto imediato no mercado brasileiro
A aprovação do acordo foi vista como um importante contraponto em um cenário global marcado por tensões comerciais e disputas geopolíticas. No Brasil, o reflexo foi imediato: além da queda do dólar nesta sexta-feira, a bolsa brasileira acumulou valorização próxima de 2% ao longo da semana, enquanto a moeda americana recuou cerca de 1% no mesmo período.
Analistas avaliam que a perspectiva de maior abertura comercial tende a beneficiar países exportadores de commodities e produtos agroindustriais, como o Brasil, além de fortalecer o fluxo de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.
Dados dos EUA reforçam movimento
O cenário externo também contribuiu para o desempenho do câmbio. Dados recentes do mercado de trabalho dos Estados Unidos mostraram a criação de apenas 50 mil empregos em dezembro, número abaixo das expectativas. O resultado foi interpretado como um sinal de possível enfraquecimento da maior economia do mundo.
Essas informações reforçaram a percepção de que o Federal Reserve poderá reduzir as taxas de juros nos próximos meses. Juros mais baixos nos Estados Unidos tendem a diminuir a atratividade do dólar e favorecer moedas de países emergentes. Especialistas, no entanto, destacam que um eventual corte ainda deve ocorrer com cautela e dependerá da evolução da inflação e da atividade econômica dos EUA.
A combinação entre o avanço do acordo Mercosul-União Europeia e os sinais de desaceleração nos Estados Unidos ajudou a criar um ambiente mais favorável ao real e sustentou o movimento de queda do dólar no mercado brasileiro.
Fonte: https://agendadopoder.com.br/acordo-mercosul-ue-pode-gerar-economia-de-4-bilhoes-de-euros-em-tributos-de-importacao/
