12 de janeiro de 2026
Buraco negro supermassivo estrangula galáxia antiga em um processo lento
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Astrônomos identificaram uma das galáxias “mortas” mais antigas do universo, e sua descoberta está reescrevendo a narrativa sobre como esses gigantes cósmicos findam sua produção estelar. O estudo, liderado pela Universidade de Cambridge, aponta que um buraco negro supermassivo em seu centro não a destruiu violentamente, mas a matou de fome em um processo lento e metódico.

A galáxia, catalogada como GS-10578 e apelidada de “Galáxia de Pablo“, existe desde quando o universo tinha apenas cerca de três bilhões de anos. Ela é um colosso de sua época, com massa equivalente a 200 bilhões de sóis. A maior parte de suas estrelas nasceu em um frenesi de formação há mais de onze bilhões de anos, mas essa produção cessou abruptamente em sua juventude cósmica.

O mistério foi desvendado através de observações combinadas do Telescópio Espacial James Webb (JWST) e do Atacama Large Millimeter Array (ALMA). Os astrônomos buscaram, sem sucesso, monóxido de carbono – um traçador do gás frio necessário para formar novas estrelas. A galáxia estava essencialmente vazia deste combustível primordial.

“O que nos surpreendeu foi o quanto se pode aprender sem ver algo”, disse o Dr. Jan Scholtz, coautor do estudo. “A ausência quase total de gás frio indica uma morte lenta por inanição, em vez de um único golpe fatal dramático.”

A galáxia, chamada GS-10578, mas apelidada de “Galáxia de Pablo” em homenagem ao astrônomo que a observou em detalhes pela primeira vez, é massiva para um período tão remoto do universo: cerca de 200 bilhões de vezes a massa do nosso Sol, e a maioria de suas estrelas se formou entre 12,5 e 11,5 bilhões de anos atrás. Crédito: Colaboração JADES

Buraco negro supermassivo no núcleo da galáxia

O culpado por este estrangulamento é o buraco negro supermassivo no núcleo galáctico. Contudo, ele não agiu com uma explosão única. Dados espectroscópicos do JWST revelaram ventos poderosos de gás neutro, soprados pelo buraco negro a 400 quilômetros por segundo e removendo o equivalente a 60 massas solares de material por ano. Esse processo drenou o reservatório de combustível da galáxia em um piscar de olhos cósmico – entre 16 e 220 milhões de anos.

“A galáxia parece um disco calmo e giratório, o que descarta uma fusão catastrófica com outra galáxia como causa de sua morte”, explicou o Dr. Francesco D’Eugenio, coautor principal. “Em vez disso, episódios repetidos de atividade do buraco negro provavelmente impediram o retorno de gás novo.”

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Os pesquisadores concluíram que a Galáxia de Pablo evoluiu em um estado de “fluxo líquido zero”: o gás que entrava era sistematicamente aquecido ou ejetado pelo buraco negro em múltiplos ciclos, impedindo qualquer reabastecimento. Este mecanismo de “morte por mil cortes” contrasta com a visão tradicional de que apenas eventos violentos podem desligar a formação estelar.

“Não é preciso um cataclismo”, conclui Scholtz. “Basta impedir a entrada de combustível novo.” A descoberta, publicada na Nature Astronomy, sugere que este processo lento e repetitivo pode ser uma forma fundamental – e até então subestimada – de como buracos negros moldam o destino das galáxias mais massivas do universo.

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/12/ciencia-e-espaco/buraco-negro-supermassivo-estrangula-galaxia-antiga-em-um-processo-lento/