12 de janeiro de 2026
Corte nas federais ameaça aulas práticas, limpeza e segurança, denunciam
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O corte no orçamento que atingiu as universidades federais com redução de R$ 488 milhões na verba para as instituições continua gerando protestos de reitores em todo o Brasil. Após o repúdio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), ainda no final do ano passado, que, em nota, alertou para os riscos do corte, reitores voltam a se manifestar denunciando os graves riscos para a manutenção das instituições.

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Em manifesto conjunto, reitores das universidades federais do Nordeste destacam que, “a proposta orçamentária para 2026 enviada ao Congresso Nacional pelo governo federal já se mostrava insuficiente para fazer frente às necessidades de nossas comunidades acadêmicas”, acrescentando que os cortes posteriores aprofundaram ainda mais as dificuldades. Diante desse cenário, defendem “a urgente necessidade de recomposição e suplementação do orçamento das universidades federais”.

Na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o reitor Josealdo Tonholo detalha os impactos concretos do orçamento reduzido. Segundo ele, os recursos previstos para 2026 são cerca de 13% menores do que os de 2025, deixando a instituição abaixo do mínimo necessário para operar. “Começaremos 2026 com um orçamento bastante inferior ao mínimo necessário para fazer a universidade funcionar a contento”, afirmou.

Tonholo explica que os recursos de manutenção sofreram corte de quase R$ 7 milhões, comprometendo contratos de limpeza, segurança e outros serviços essenciais. A assistência estudantil também foi atingida, com redução aproximada de R$ 600 mil. “Esses cortes impactam diretamente o funcionamento da universidade e a permanência dos estudantes”, afirmou, destacando o papel estratégico da Ufal para o Estado de Alagoas. “Somos o maior vetor de desenvolvimento de Alagoas”, afirmou, citando como exemplo o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes. “Nosso HU teve 98% de avaliações excelentes pelos usuários, mesmo operando sob forte restrição”.

No Rio Grande do Sul, as universidades federais acumulam perdas estimadas em R$ 44 milhões no orçamento de 2026, o que representa uma redução média de 7% dos recursos. A situação levou reitores a alertarem para o risco de paralisação de atividades essenciais e para decisões difíceis na gestão das instituições.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a maior do estado, a redução chega a R$ 14,5 milhões. A reitora Márcia Barbosa afirma que o cenário impõe escolhas difíceis. “Eu vou ter que fazer escolhas. E as escolhas vão ser cruéis”, declarou, ao explicar que a universidade pode ter de optar entre garantir a alimentação de estudantes em situação de vulnerabilidade ou manter estruturas acadêmicas e experimentais em funcionamento.

Em outras instituições gaúchas, o quadro também é crítico. Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o pró-reitor de Planejamento e Administração, Magno Carvalho de Oliveira, afirma que a universidade já esgotou todas as possibilidades de ajuste. “Nós já reduzimos postos de segurança, já reduzimos contratos que podíamos reduzir. Não temos mais espaço para cortar”, disse.

Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a reitora Úrsula Silva relata que os efeitos do orçamento já atingem diretamente as atividades acadêmicas. “Estamos suspendendo aulas práticas, saídas de campo e ações com a comunidade”, afirmou, mencionando ainda dificuldades adicionais com a manutenção de prédios após eventos climáticos recentes.

Tanto no Nordeste quanto no Sul, os dirigentes universitários apontam que os cortes nas universidades ocorreram paralelamente à ampliação das emendas parlamentares, o que, na avaliação das reitorias, fragiliza políticas públicas estratégicas.

Por meio da Andifes, os reitores informam que seguem dialogando com o Ministério da Educação e com as bancadas federais. Está prevista uma reunião com o ministro Camilo Santana para discutir alternativas de recomposição orçamentária ainda em 2026.

Fonte: https://horadopovo.com.br/corte-nas-federais-ameaca-aulas-praticas-limpeza-e-seguranca-denunciam-reitores/