A reta final de 2025 foi uma prévia do novo ano eleitoral na corrida do governo de Minas Gerais, com movimentações importantes no tabuleiro político, que apontam para as possíveis articulações partidárias e coligações em 2026. A principal jogada veio do vice-governador mineiro, Mateus Simões, que trocou o Novo pelo PSD, com aval do chefe do Executivo, Romeu Zema (Novo-MG).
O pré-candidato tem apoio do governador mineiro para buscar a sucessão e tenta atrair o apoio do PL, que pode enfraquecer a pré-candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).
A chegada de Simões ao partido presidido nacionalmente por Gilberto Kassab também enfraquece a articulação da esquerda na construção de uma candidatura de peso que possa levar Lula ao palanque no estado, o que foi considerado decisivo nas últimas eleições presidenciais. O petista apostava em uma candidatura do PSD com o senador Rodrigo Pacheco ou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para impulsionar a campanha em Minas Gerais.
Segundo apuração da Gazeta do Povo, o acordo com o PSD reserva a indicação do candidato a vice-governador ao partido Novo. Questionado pela reportagem, o presidente estadual do PSD, deputado estadual Cássio Soares, não confirma a chapa encabeçada por Simões com um candidato do Novo como vice, mas admite que existem conversas encaminhadas para 2026.
“O Novo reivindica a vaga de vice, mas não tem nenhum martelo batido até agora. Precisamos de composições, então ainda tem muita coisa pra acontecer antes de qualquer definição”, afirmou.
Soares acrescentou que PP e União Brasil já anunciaram apoio a Simões na corrida ao governo de Minas. O objetivo do grupo político é levar o PL para frente de apoio ao vice-governador. “O caminho mais natural e factível para o PL é apoiar a chapa do Mateus Simões. Existe uma disposição muito forte do PL”, comentou.
Além disso, o presidente mineiro do PSD admite a possibilidade de incluir o MDB para a coligação, apesar da pré-candidatura do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo. “É [uma pré-candidatura] muito instável. Ou seja, lá na frente, pode ser que o MDB também tenha uma conversa com a gente”, disse Soares.
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O senador Cleitinho lidera o cenário estadual em levantamento divulgado pelo instituto Paraná Pesquisas, em outubro, mas tem o apoio do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ameaçado pelo vice-governador mineiro. O aliado de Zema aposta no ano eleitoral para a candidatura ao governo decolar e no início da campanha política para ganhar mais visibilidade.
Enquanto Cleitinho tem 40,6% dos votos no cenário estimulado, Simões tem 5,9% da preferência do eleitorado mineiro. Pré-candidato e aliado de Bolsonaro, Cleitinho teve um atrito com os filhos do ex-presidente após ter dito que teria “pago a dívida” com Bolsonaro pelo apoio que recebeu nas eleições em 2022, quando venceu a disputa por uma cadeira ao Senado.
O desgaste político colocou em dúvida o apoio do PL à pré-candidatura de Cleitinho, que teria até um acordo com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para evitar uma disputa entre os dois ao governo mineiro em 2026. O jovem parlamentar do PL deve disputar a reeleição a deputado federal.
“O Cleitinho aparece forte [nas pesquisas], mas sua força vem do eleitor bolsonarista, que pode migrar para o Mateus Simões se houver uma costura nacional entre PL, PSD, União e PP, com apoio eventual do Bolsonaro”, avalia o cientista político Adriano Cerqueira.
Quem corre por fora na disputa eleitoral é o deputado federal Aécio Neves (PSDB). O ex-governador mineiro assumiu em novembro a presidência nacional do partido e pode voltar a disputar o Executivo estadual em 2026.
O principal opositor aos candidatos da centro-direita é Alexandre Kalil, ex-prefeito de Minas Gerais que foi anunciado como pré-candidato no evento de filiação ao PDT, sigla de centro-esquerda. Na sondagem eleitoral do Paraná Pesquisas, Kalil aparece com 13,5% das intenções de votos, tecnicamente empatado com Pacheco (13%) e com a petista Marília Campos (10,6%). No entanto, os dois últimos não devem disputar o governo do estado de Minas em 2026.
Sem o PSD ou um projeto competitivo de candidatura petista ao governo de Minas, na avaliação do cientista político Adriano Cerqueira, Lula pode apoiar Kalil, assim como ocorreu nas eleições de 2022, quando o ex-prefeito de Belo Horizonte foi derrotado por Zema no primeiro turno. “A principal jogada do PT mineiro é oferecer um palanque para o presidente Lula como suporte nacional. Minas será decisiva na eleição presidencial”, afirma Cerqueira, que não descarta a possibilidade do PT indicar o vice para a chapa de Kalil no estado que detém o segundo maior colégio eleitoral do país.
- Metodologia da pesquisa citada: 1.505 entrevistados pelo Paraná Pesquisas em 68 municípios de Minas Gerais entre os dias 1 e 5 de outubro de 2025. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos percentuais.
PT de Minas vai buscar partidos de centro e centro-esquerda
Em entrevista à Gazeta do Povo, a presidente mineira do PT, deputada estadual Leninha, disse que o partido quer dialogar com o PSB, o MDB e o PDT. Ela informou que a prefeita de Contagem, Marília Campos, se colocou à disposição para disputar uma vaga ao Senado.
Segundo a parlamentar, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT-MG), é outro nome que pode “compor algum espaço majoritário” em uma coligação partidária. “Estamos em tratativas com ela”, respondeu, sem dar mais detalhes.
Leninha disse que o cenário eleitoral está em construção e que as possibilidades estão sendo avaliadas junto com o presidente Lula. “Queremos conosco quem fortaleça a aliança em torno da reeleição presidencial, amplie a base social e territorial no arco da aliança construída nacionalmente e se comprometa com nossa agenda de justiça social, combate às desigualdades e desenvolvimento sustentável para Minas Gerais”, declarou a presidente estadual do PT.
Pré-candidatos e nomes cotados pelos partidos ao governo de MG nas eleições 2026
Mateus Simões
Vice-governador e ex-secretário estadual, Mateus Simões é o nome apoiado por Romeu Zema para suceder a gestão do Novo. Trabalha para se viabilizar como alternativa de centro-direita e atrair uma coalizão ampla de partidos após filiação ao PSD.
Mateus Simões (PSD) (Foto: Gil Leonardi/Governo de MG)Cleitinho Azevedo
Senador em primeiro mandato, Cleitinho Azevedo lidera sondagem eleitoral, com forte presença nas redes sociais. Teve atritos com a família Bolsonaro, o que pode afetar seu apoio partidário.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
(Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
Alexandre Kalil
Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil é o principal nome da centro-esquerda no estado. Disputou o governo do estado em 2022 e mantém alinhamento nacional com Lula.
Alexandre Kalil (PDT) (Foto: Amira Hissa/Prefeitura de BH)Margarida Salomão
Reeleita no primeiro turno de 2024, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, é professora emérita e ex-reitora da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). Foi deputada federal pelo PT por três mandatos.
Margarida Salomão (PT) (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)Gabriel Azevedo
Jornalista e advogado, o pré-candidato emedebista foi vereador por dois mandatos em Belo Horizonte. Gabriel Azevedo foi presidente da Casa municipal entre 2023 e 2024.
Gabriel Azevedo (MDB) (Foto: Karoline Barreto/CMBH)Aécio Neves
Ex-governador de Minas Gerais e ex-senador, o deputado federal Aécio Neves foi um dos principais nomes nacionais do tucanato, tendo disputado a Presidência da República em 2014.
O deputado Aécio Neves, presidente do PSDB. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)VEJA TAMBÉM:
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Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/minas-gerais/eleicoes-governo-mg-pre-candidatos/
