14 de janeiro de 2026
Vendas no varejo recuam em 2025 e encerram ano com
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As vendas do comércio brasileiro encerraram 2025 com desempenho negativo, sinalizando um arrefecimento do consumo ao longo do ano e, sobretudo, nos meses finais, informa Míriam Leitão em sua coluna no Globo. De acordo com o Índice do Varejo Stone (IVS), indicador privado que acompanha mensalmente a movimentação do setor, o varejo acumulou queda de 0,5% em relação a 2024. Na comparação anual, o volume de vendas recuou 1,5%.

Somente em dezembro, o comércio registrou retração de 0,9% frente a novembro, reforçando a leitura de desaceleração no encerramento do ano. Os números oficiais do setor, apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, serão divulgados no dia 13 de fevereiro e devem confirmar, segundo analistas, um cenário de menor dinamismo.

Quarto trimestre confirma enfraquecimento

O último trimestre de 2025 consolidou a tendência de perda de ritmo. Entre outubro e dezembro, o volume de vendas do varejo caiu 1,7% na comparação com o mesmo período de 2024. Em relação ao terceiro trimestre, a retração foi de 0,9%.

O desempenho indica que os fatores que sustentaram o consumo ao longo do ano foram gradualmente se esgotando, especialmente em um ambiente de juros elevados e crédito mais restrito.

Desempenho desigual entre os segmentos

Na análise mensal de dezembro, apenas três dos oito segmentos acompanhados pelo IVS apresentaram crescimento. O principal destaque foi Material de Construção, com alta de 1,7%. Também avançaram Artigos Farmacêuticos, com crescimento de 0,6%, e Combustíveis e Lubrificantes, que registraram leve alta de 0,3%.

Em contrapartida, cinco setores fecharam o mês no negativo. As maiores quedas foram observadas em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria, com recuo de 5,5%, e em Tecidos, Vestuário e Calçados, que caíram 3,4%. Também registraram retração Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (3,2%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,5%) e Móveis e Eletrodomésticos (0,1%).

Comparação anual expõe setores mais pressionados

No confronto entre 2025 e 2024, apenas quatro segmentos conseguiram encerrar o ano com crescimento. Móveis e Eletrodomésticos lideraram, com alta de 2,4%, seguidos por Artigos Farmacêuticos (1,5%), Material de Construção (0,9%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,3%).

As maiores quedas anuais ficaram concentradas em Combustíveis e Lubrificantes, que recuaram 5,7%, Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (4,6%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (4,3%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (0,4%).

Oscilações no trimestre e no acumulado do ano

Na passagem do terceiro para o quarto trimestre, alguns segmentos conseguiram reagir. Houve avanço em Móveis e Eletrodomésticos (1,1%), Artigos Farmacêuticos (0,4%), Material de Construção (0,5%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,3%). Por outro lado, recuaram Combustíveis e Lubrificantes (2,6%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (2%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (1,2%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (0,4%).

No acumulado de todo o ano de 2025, apenas dois setores fecharam no positivo: Combustíveis e Lubrificantes, com crescimento de 1%, e Tecidos, Vestuário e Calçados, com alta de 0,9%. Todos os demais registraram queda, com destaque para Móveis e Eletrodomésticos, que recuaram 2,2%, e Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, com baixa de 0,8%.

Diferenças regionais no desempenho

A análise regional mostra que o enfraquecimento do varejo foi disseminado pelo país. Apenas três estados apresentaram crescimento das vendas na comparação anual. O melhor desempenho foi observado no Piauí, com alta de 2,3%, seguido por Alagoas (1,2%) e Rondônia (1,1%).

Entre as maiores quedas, destacam-se Mato Grosso do Sul, com retração de 5,9%, Amazonas (5%), Ceará (4,4%) e Tocantins (4,3%). Também registraram recuos expressivos Espírito Santo e Rio Grande do Sul (4,2%). Estados com grande peso econômico também fecharam o ano no negativo, como Rio de Janeiro (3%), Minas Gerais (2,5%) e São Paulo (1,8%).

Juros e endividamento pesam sobre o consumo

Para Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o desempenho do varejo em 2025 reflete um esgotamento claro dos fatores que sustentaram o consumo ao longo do ano.

Mesmo com um mercado de trabalho ainda resiliente, juros elevados, crédito caro e um nível alto de endividamento das famílias reduziram a capacidade de novas compras, especialmente de bens de maior valor. Esse cenário ajuda a explicar a perda de fôlego mais intensa observada no fim do ano.

Segundo ele, a combinação desses fatores tende a manter o consumo sob pressão no curto prazo, exigindo cautela do setor varejista e atenção redobrada às condições macroeconômicas ao longo de 2026.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/vendas-no-varejo-recuam-em-2025-em-relacao-ao-ano-anterior/