A China encerrou 2025 com o maior superávit comercial de sua história, atingindo quase US$ 1,2 trilhão. O resultado reflete o avanço consistente das exportações para mercados fora dos Estados Unidos e a estratégia de diversificação adotada por empresas chinesas diante das tarifas impostas por Washington nos últimos anos.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (14) pela agência Reuters, com base em informações oficiais da administração chinesa de alfândega. Segundo o levantamento, o superávit comercial do país somou US$ 1,189 trilhão em 2025, um valor comparável ao Produto Interno Bruto de economias de porte médio no cenário global.
Tarifas dos EUA e mudança de estratégia
O desempenho foi alcançado apesar das medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos sob a liderança do presidente Donald Trump. Ao longo do período, Pequim intensificou esforços para reduzir a dependência do mercado estadunidense, incentivando empresas a buscar novos destinos para seus produtos.
A estratégia incluiu a ampliação da presença comercial no Sudeste Asiático, na África, na América Latina e também na União Europeia. O movimento visa mitigar riscos comerciais, tecnológicos e geopolíticos, em um contexto de tensões persistentes entre as duas maiores economias do mundo.
Desempenho no fim do ano supera expectativas
Em dezembro, as exportações chinesas, medidas em dólares, cresceram 6,6% na comparação anual. O resultado superou as expectativas do mercado, que projetavam alta de cerca de 3%. As importações também avançaram mais do que o previsto, com expansão de 5,7%, indicando maior dinamismo do comércio exterior no encerramento do ano.
O comportamento simultâneo de exportações e importações reforça a avaliação de que, além do forte desempenho externo, houve melhora na atividade econômica relacionada ao comércio no fim de 2025.
Expansão fora do eixo tradicional
O crescimento das exportações foi particularmente expressivo em regiões fora do eixo tradicional formado por Estados Unidos e Europa. As vendas para a África aumentaram 25,8% ao longo de 2025. Já os embarques para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático cresceram 13,4%, consolidando a região como um dos principais parceiros comerciais da China.
As exportações para a União Europeia também avançaram, com alta de 8,4%. Em sentido oposto, as vendas para os Estados Unidos recuaram 20%, evidenciando o impacto das tarifas e da reorientação estratégica promovida por Pequim.
Avaliação das autoridades chinesas
Autoridades chinesas destacaram que a diversificação dos parceiros comerciais fortaleceu a capacidade da economia de enfrentar choques externos. Durante entrevista coletiva após a divulgação dos dados, o vice-ministro da administração geral de alfândega, Wang Jun, ressaltou os efeitos positivos da estratégia adotada.
“Com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade da China de resistir a riscos foi significativamente aprimorada”, declarou o vice-ministro.
A leitura oficial é de que a ampliação da rede de mercados não apenas compensou a queda nas exportações para os Estados Unidos, como também criou uma base mais equilibrada e resiliente para o comércio exterior do país, gerando o superávit.
Fonte: https://agendadopoder.com.br/mesmo-com-tarifas-de-trump-china-fecha-2025-com-superavit-comercial-recorde-de-us-12-trilhao/
