A Justiça Federal de Santa Catarina constatou uma redução no número de visitantes excedentes na Ilha do Campeche, em Florianópolis, após a implementação de um novo modelo de gestão compartilhada. Os dados foram apresentados em reunião realizada nesta semana pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscon-SC), vinculado ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
Localizada na costa leste da capital catarinense, a Ilha do Campeche é considerada como um patrimônio arqueológico e paisagístico do Brasil, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2000. O destino, que apresenta características naturais que o levaram a ser comparado ao Caribe, passa por um processo de regramento judicial para equilibrar a exploração turística e a preservação ambiental.
Os resultados desta temporada de verão em Florianópolis demonstram que o controle do fluxo turístico tem funcionado, respeitando o limite de 800 visitantes diários. De acordo com o balanço do Instituto Ilha do Campeche, até o último dia 11 de janeiro, foram registrados quatro dias com público acima do permitido, com um teto de 852 visitantes.
No mesmo intervalo da temporada anterior, o limite foi extrapolado em 10 dias, chegando a registrar 1.883 pessoas em uma única data. “O sucesso no controle de visitantes da Ilha do Campeche se deve ao esforço conjunto de todos os órgãos e representantes que compõem o nosso grupo de trabalho, um trabalho verdadeiramente coletivo e que vem sendo construído há quase dois anos”, disse o juiz coordenador do Cejuscon, Leonardo Müller Trainini.
Integram o grupo de trabalho representantes da Justiça Federal, Ministério Público Federal (MPF), Prefeitura de Florianópolis, Iphan, Marinha do Brasil e associações de barqueiros. O modelo é desdobramento de uma ação civil pública ajuizada pelo MPF em 2022 para conter danos ao patrimônio arqueológico decorrentes da ocupação desordenada.
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A Ilha do Campeche foi transformada em 2025 em Unidade de Conservação pela prefeitura de Florianópolis, a partir da criação do Monumento Natural Municipal da ilha do Campeche (Mona). A gestão, antes sob responsabilidade do Iphan e mediada pela Justiça Federal, passou para a capital catarinense, por meio da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram).
A fiscalização atual utiliza um sistema de videomonitoramento com conectividade via satélite. A tecnologia emprega câmeras de alta definição e inteligência artificial para realizar a contagem de passageiros e o reconhecimento facial ainda dentro das embarcações, permitindo a identificação dos responsáveis antes do desembarque na praia.
O grupo de gestão compartilhada trabalha agora na definição do fluxo de repasse de recursos para o fundo de conservação da ilha e na regulação das chamadas “visitas panorâmicas”. Na área ambiental, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) iniciaram o monitoramento da saúde da população de quatis, visando o planejamento de controle reprodutivo da espécie.
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Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/santa-catarina/videomonitoramento-reduz-superlotacao-ilha-do-campeche/
