O desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão, se consolidou como um verdadeiro mistério que desafia as forças de segurança e aprofunda a angústia de familiares e moradores. Nesta segunda-feira (19), completam 16 dias de buscas na área.
Sem pistas concretas, contradições em relatos e nenhuma evidência capaz de indicar com precisão o paradeiro das crianças, o caso rompeu as fronteiras do município, ganhou repercussão nacional e passou a mobilizar uma das maiores operações de busca já registradas na região.
Diante da complexidade da ocorrência e da pressão social crescente, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão intensificou as buscas no último sábado, ampliando equipes de investigação e busca. A operação passou a contar com o reforço da Marinha do Brasil, que trouxe tecnologia de alta precisão para ampliar a varredura em áreas alagadas e de difícil acesso. O uso do side scan sonar, equipamento capaz de identificar objetos submersos em águas turvas ou profundas, representa uma ampliação significativa da capacidade técnica das buscas, somando-se a embarcações, motos aquáticas e equipes especializadas.
As ações em campo seguem de forma ininterrupta, envolvendo policiais civis e militares, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Centro Tático Aéreo, Exército Brasileiro, Polícia Federal e cães farejadores vindos de outros estados. O esforço coletivo evidencia a dimensão que o caso assumiu, extrapolando os limites locais e exigindo uma resposta integrada das forças de segurança.
Familiares e testemunhas estão sendo ouvidas
Paralelamente às buscas, a Polícia Civil conduz uma investigação minuciosa, com atuação conjunta da Delegacia Regional de Bacabal, da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa e da Superintendência de Polícia Civil do Interior. Familiares, moradores e possíveis testemunhas vêm sendo ouvidos, enquanto todas as linhas investigativas permanecem abertas.
O histórico do desaparecimento, que inicialmente envolveu três crianças do território quilombola, adiciona ainda mais complexidade ao caso, apesar de uma delas já ter sido localizada e não apresentar indícios de violência.
Risco das fake news nas investigações do caso
Em meio à comoção coletiva e à cobertura intensa do caso, outro fator tem se mostrado decisivo para o andamento das investigações: a circulação de informações não confirmadas, especialmente nas redes sociais. Relatos sem comprovação passaram a surgir com frequência, alimentando expectativas, dúvidas e, em alguns casos, desinformação.
Um desses episódios ocorreu no final de semana quando uma mulher afirmou ter visto duas crianças com características semelhantes às dos irmãos desaparecidos em outro município, a quase 300 quilômetros de Bacabal. A informação rapidamente se espalhou pelas redes e ganhou repercussão, obrigando as autoridades a deslocarem esforços para checar o relato, tentar ouvir a declarante e buscar imagens de câmeras de segurança que possam confirmar ou descartar a versão apresentada.
Situações como essa ilustram o delicado equilíbrio entre a colaboração popular e o risco de prejuízos à investigação. Embora denúncias e informações possam ser fundamentais para a elucidação do caso, qualquer dado precisa ser criteriosamente verificado antes de ser incorporado às linhas de apuração. As forças de segurança alertam que a disseminação de fake news não apenas configura crime, como também pode desviar equipes, comprometer recursos e ampliar o sofrimento da família.
As autoridades alertam que a divulgação de informações falsas é crime e pode comprometer diretamente as investigações, desviando equipes, criando falsas expectativas e ampliando o sofrimento das famílias. Desde o início do caso, cerca de 600 pessoas já estiveram envolvidas nas buscas, o que torna ainda mais crucial a filtragem responsável de dados.
Em meio à comoção e à pressão social, a orientação oficial é clara: qualquer informação relevante deve ser repassada exclusivamente aos canais competentes, para que seja checada com critério técnico e integrada de forma segura ao trabalho investigativo. Até o fechamento desta edição, as crianças ainda não haviam sido encontradas.
Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/em-16-dias-misterio-pf-e-fake-news-marcam-caso-de-criancas-desaparecidas-em-bacabal/
