A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) elegeu a nova diretoria da entidade no último final de semana, durante o 35º Congresso da entidade, que reuniu cerca de dois mil delegados de todas as regiões do país no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF).
A chapa vencedora “Unidade para Lutar e Conquistar”, encabeçada por Fátima Silva, eleita presidente para o quadriênio 2026–2030, reuniu uma ampla aliança de forças políticas e, de acordo com seus integrantes, “inaugura nova gestão marcada pela defesa da escola pública, da democracia e da valorização dos trabalhadores em educação”. A nova diretoria foi eleita com 93,76% dos votos.
Em seu discurso de encerramento de mandato, o ex-presidente da entidade, Heleno Araújo, destacou o caráter político do Congresso como um ato de resistência diante dos ataques sofridos pela educação nos últimos anos.
Fátima Silva é a segunda mulher a assumir a presidência da maior confederação de trabalhadores em educação da América Latina, e a sua eleição, como afirma a CNTE, “tem peso simbólico especial para uma categoria composta majoritariamente por mulheres”.

“Não se trata apenas de ocupar um cargo, mas de reafirmar que as mulheres têm voz, têm história e têm papel central na luta sindical e na construção da educação pública brasileira”, afirmou Fátima Silva.
Durante a cerimônia de encerramento do Congresso, no domingo, a nova presidente discorreu sobre sua trajetória como professora na cidade de Coronel Sapucaia (MS) e o início de sua militância sindical como dirigente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS), cargo que ocupou por dois mandatos. Em seu discurso afirmou a luta contra o neoliberalismo, contra o avanço da extrema-direita no país e contra o imperialismo.
“Não viveremos dias fáceis e em calmaria. Por isso, precisamos estar juntos e nos apoiar, alimentar a esperança, estar presentes na nossa base social, porque é de lá que vem a nossa força”, afirmou. Entre as prioridades anunciadas estão a resistência à Reforma Administrativa, a luta pela garantia do Piso Salarial Profissional Nacional com repercussão na carreira e a defesa da liberdade de cátedra.
De acordo com os organizadores, o 35º Congresso, realizado entre 15 e 18 de janeiro, teve como “eixo central a unidade e a resistência, definindo o novo Plano de Lutas da categoria em um contexto de enfrentamento à extrema direita, à mercantilização do ensino, às tentativas de privatização da escola pública e contra a militarização da educação e os modelos de escolas cívico-militares”.
“Foram quatro dias intensos de debates, formulações e encontros que marcaram o Congresso como um dos mais representativos da história recente da entidade”, afirma a CNTE.
O Congresso contou ainda com diversos convidados, como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos; a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo; a senadora Teresa Leitão, e o neurocientista Miguel Nicolelis, entre outros.
Em sua fala, o ministro Guilherme Boulos se comprometeu em lutar ao lado da categoria contra a privatização da educação, pela valorização dos profissionais e pelo enfrentamento às escolas cívico-militares.
Fonte: https://horadopovo.com.br/cnte-elege-fatima-silva-e-reforca-defesa-da-escola-publica-e-da-democracia/
