A Polícia Civil de São Paulo investiga se o assassinato de dois médicos em Alphaville, na Grande São Paulo, está relacionado a disputas comerciais envolvendo contratos milionários na área da saúde pública. O crime ocorreu na noite de sexta-feira (16), em frente a um restaurante em Barueri, na Grande São Paulo.
O autor dos disparos, o médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. As vítimas foram Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, que chegaram a ser socorridos, mas morreram a caminho do hospital.
As investigações apontam que Carlos Alberto e Luís Roberto eram proprietários de empresas que atuam na gestão e intermediação de serviços médicos, com forte presença em contratos firmados com organizações sociais e secretarias municipais de saúde. A principal linha de apuração indica que conflitos acumulados por concorrência direta e disputa por contratos públicos teriam motivado o crime. Vinicius trabalhava como médico vinculado a empresas relacionadas à vítima principal.
A empresa de Carlos Alberto mantém contratos de alto valor com a Fundação ABC, entidade responsável pela administração de hospitais e unidades de saúde em municípios da Grande São Paulo. A fundação foi alvo da Operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2025, que investiga suspeitas de pagamento de propina em contratos de gestão financiados com recursos públicos. Embora a empresa do médico não figure formalmente como alvo da operação, os contratos assinados preveem repasses de milhões de reais por ano para a prestação de serviços médicos.
Segundo a polícia, as desavenças entre os empresários vinham se intensificando havia meses, à medida que disputavam espaço em contratos hospitalares e licitações na rede pública de saúde.
Imagens de câmeras de segurança mostram que a discussão começou dentro do restaurante, com troca de agressões físicas. Do lado de fora do estabelecimento, Carlos Alberto sacou uma arma e efetuou diversos disparos contra os dois colegas. A polícia apreendeu a pistola usada no crime, cápsulas deflagradas, documentos, uma bolsa e cerca de R$ 16 mil em dinheiro.
O assassino declarou ser CAC (Colecionador, Atirador e Caçador). No entanto, a legislação federal estabelece que esse registro não autoriza o porte de arma para defesa pessoal sem autorização específica, informação que está sendo apurada pelas autoridades.
O histórico do autor reforça o perfil agressivo identificado pela investigação. Em julho de 2025, Carlos Alberto foi preso em flagrante em Aracaju (SE) após um episódio de violência em um hotel de luxo da capital sergipana. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe, ele chegou ao local embriagado, agrediu fisicamente funcionários da recepção, proferiu ofensas racistas contra um trabalhador e danificou móveis e objetos do estabelecimento.
Na ocasião, permaneceu preso por cerca de cinco dias, sendo liberado após pagamento de fiança de R$ 15.180 e imposição de medidas cautelares. O processo ainda tramita na Justiça de Sergipe.
Enquanto apura a possível entrega da arma por uma mulher, a Polícia Civil avança na investigação sobre contratos de serviços médicos com organizações sociais e órgãos públicos. A polícia avalia que a disputa por esses negócios, que envolvem grandes volumes de recursos públicos, pode estar associada à violência que resultou na morte de dois médicos.
Fonte: https://horadopovo.com.br/medico-com-registro-cac-matou-dois-colegas-a-tiros-em-meio-a-disputa-por-contratos-milionarios/
