22 de janeiro de 2026
Kaminhu d’Água: artista cabo-verdiana traz rituais de memória e resistência
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A Verbo – Mostra de Performance Arte retoma suas atividades na capital maranhense em 2026, dando continuidade à sua 18ª edição. O destaque desta etapa é a presença da artista cabo-verdiana Jacira da Conceição, que apresenta uma programação composta por performance, oficina e roda de conversa, integrando uma circulação internacional apoiada pela DGARTES (Portugal) em parceria com a Galeria CHAO SLZ.

A mostra ocorre dia 29 de janeiro de 2026, das 14h às 17h, no Chão SLZ, localizado na R. do Giz, 167 – Centro, São Luís, com entrada gratuita.

Performance e Ritual: Kaminhu d’Água

Na obra “Kaminhu d’Água: Rituais de Memória e Resistência”, a artista investiga a água, o corpo e a cerâmica como suportes de inscrição histórica. O projeto propõe uma reflexão crítica sobre narrativas pós-coloniais e a transmissão de memórias na diáspora africana.

A performance se desenrola como um ritual coletivo: uma caminhada onde potes cerâmicos — inspirados em práticas ancestrais da África Atlântica e de Cabo Verde — são transportados e compartilhados antes de serem colocados a flutuar. Esses objetos atuam como dispositivos simbólicos, carregando gestos e saberes geracionais, com foco especial na experiência das mulheres negras.

Oficina Mondoda: O Gesto e o Barro

Complementando a mostra, a oficina “Mondoda – Introdução às Técnicas de Matriz Africana Aplicadas à Escultura em Cerâmica” convida o público a explorar a matéria e o território através do contato direto com o barro. O termo, originário do crioulo (kriolu) da Ilha de Santiago, refere-se ao ato de amassar e preparar a terra com as mãos.

A prática resgata o “mondó”, um gesto cotidiano que une o fazer manual ao significado espiritual e identitário. Durante a atividade, os participantes experimentam processos escultóricos que evocam temas como travessia, pertencimento e a continuidade cultural de uma herança viva, tradicionalmente preservada por mulheres.

O projeto reafirma o papel da Verbo como espaço de intercâmbio entre o Maranhão e as produções contemporâneas de matriz africana, conectando saberes ancestrais ao campo da arte contemporânea.

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/kaminhu-dagua-artista-cabo-verdiana-traz-rituais-de-memoria-e-resistencia-ancestral-a-sao-luis/