A Capital One Financial anunciou nesta quinta-feira (22) a aquisição da fintech Brex por US$ 5,15 bilhões em uma operação que combina dinheiro e ações. O acordo, que ainda depende de aprovações regulatórias, coloca no centro das atenções a empresa fundada por dois brasileiros que já haviam criado o Pagar.me, startup vendida posteriormente para a Stone.
A movimentação ocorre em um momento em que grandes instituições financeiras buscam ampliar sua presença no segmento corporativo e reduzir a dependência do crédito ao consumidor. A transação também chama atenção pelo papel de Pedro Franceschi, um dos fundadores da Brex, que seguirá como CEO após a conclusão do negócio.
A operação entre Capital One e Brex
Segundo a Reuters, o acordo está estruturado em uma divisão aproximada de 50% em dinheiro e 50% em ações e deve ser finalizado em meados de 2026. Com a compra, a Capital One amplia sua atuação em cartões corporativos e softwares de gestão de despesas, área na qual a Brex já atende empresas como DoorDash e Robinhood.
A estratégia, de acordo com a instituição financeira, é diversificar receitas e reduzir a exposição ao crédito ao consumidor, especialmente em cenários de incerteza econômica. A Brex, por sua vez, opera em mais de 120 países, o que também aumenta o alcance internacional da Capital One no segmento empresarial.
A fintech criada por brasileiros no Vale do Silício
A Brex foi fundada por Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, empreendedores brasileiros que começaram a trajetória no setor financeiro com a criação da Pagar.me ainda na adolescência. Após a venda da startup para a Stone, os dois se mudaram para os Estados Unidos, onde lançaram a nova empresa em 2017, no Vale do Silício, com foco em soluções de crédito e gestão financeira para startups e empresas de tecnologia.

Desde então, a fintech ganhou espaço no mercado internacional ao oferecer uma plataforma integrada que combina cartões corporativos, controle de gastos e ferramentas de gerenciamento financeiro. Esse posicionamento foi um dos fatores que despertaram o interesse da Capital One, que vê na Brex uma porta de entrada mais sólida no ecossistema de empresas de base tecnológica.
Debate sobre limite de juros em cartões
O anúncio da aquisição ocorre em meio a discussões políticas sobre a possibilidade de limitar os juros cobrados em cartões de crédito nos EUA. O presidente Donald Trump defendeu um teto temporário de 10% para essas taxas, proposta que enfrenta resistência de associações do setor bancário.

Para a Capital One, que tem um dos modelos de negócios mais dependentes de cartões de crédito entre os grandes bancos americanos, a eventual implementação desse limite poderia impactar de forma significativa a rentabilidade. Mesmo assim, a instituição segue apostando na expansão para o mercado corporativo, movimento reforçado pela compra da Brex.
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Continuidade da liderança na Brex
Um ponto central do acordo é a permanência de Pedro Franceschi como CEO da fintech após a conclusão da transação. A Capital One informou que a liderança atual será mantida para garantir a continuidade das operações e da estratégia de crescimento da empresa.
Com isso, a fintech fundada por dois brasileiros passa a integrar a estrutura de um dos maiores bancos dos Estados Unidos.
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