23 de janeiro de 2026
Vagas de emprego que exigem IA quadruplicaram no Brasil
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A rápida disseminação da inteligência artificial deve provocar uma transformação profunda no mercado de trabalho global, com impacto ainda maior para os trabalhadores mais jovens. O alerta foi feito pela diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Georgieva destacou que vários países – principalmente os mais desenvolvidos – já passam por mudanças devido à presença da IA, incluindo ganhos de produtividade e aumento de salários, mas também cortes de empregos.

Painel aconteceu durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça (Imagem: Drop of Light/Shutterstock)

IA já está mudando o mercado de trabalho

Segundo Georgieva, estudos do próprio FMI indicam que a adoção da IA vai alterar de forma significativa a demanda por habilidades profissionais. Nas economias avançadas, cerca de 60% dos empregos devem ser afetados pela tecnologia nos próximos anos – seja por ganhos de produtividade, mudanças nas funções ou eliminação de postos. Em escala global, esse percentual chega a 40%.

Para a economista, o efeito pode ser comparado a um “tsunami” sobre o mercado de trabalho.

Georgieva destacou que, em países mais desenvolvidos, aproximadamente 10% dos empregos já passaram por algum tipo de aprimoramento com o uso de IA, o que tende a elevar salários e gerar efeitos positivos para a economia local. Em contrapartida, funções tradicionalmente ocupadas por trabalhadores em início de carreira estão entre as mais vulneráveis à automação, o que pode dificultar o ingresso de jovens no mercado formal.

A diretora ainda alertou que mesmo profissionais cujas funções não sejam diretamente substituídas pela IA podem sofrer perdas salariais, caso a tecnologia não resulte em aumentos de produtividade. Nesse cenário, a classe média estaria inevitavelmente exposta aos efeitos da transformação tecnológica.

Kristalina Georgieva
Kristalina Georgieva, atual diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, já foi diretora-geral do Banco Mundial e vice-presidente da Comissão Europeia (Imagem: Amigos da Europa/Wikimedia Commons)

Avanço da IA x regulação

Outro ponto de preocupação levantado pela chefe do FMI é a velocidade do avanço da IA em relação à capacidade de regulação. Para ela, ainda não está claro como tornar a tecnologia segura e inclusiva, o que exige uma resposta mais rápida de governos e instituições.

“A IA é real e está mudando o mundo mais rápido do que conseguimos acompanhar”, afirmou.

O tema dominou parte das discussões em Davos, ao lado de tensões geopolíticas e comerciais. Representantes sindicais também chamaram atenção para o risco de cortes de empregos associados ao aumento de produtividade. Christy Hoffman, secretária-geral do sindicato global UNI, defendeu ao The Guardian que os ganhos gerados pela IA sejam distribuídos de forma mais equilibrada e que trabalhadores participem das decisões sobre a implementação dessas ferramentas.

Executivos do setor tecnológico também expressaram ressalvas. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que a IA pode perder apoio social caso concentre benefícios apenas em grandes empresas, sem gerar avanços mais amplos, como inovações na área da saúde.

Inteligência artificial
Empregos de entrada devem ser os mais afetados pela IA (Imagem: Gumbariya/Shutterstock)

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IA compartilhada internacionalmente

  • No mesmo painel, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou que o crescimento da IA pode ser prejudicado pela falta de cooperação entre economias rivais, especialmente em um contexto de disputas comerciais e barreiras tarifárias;
  • Segundo ela, a tecnologia depende de grandes volumes de capital, energia e dados, o que torna a colaboração internacional essencial;
  • Lagarde também destacou o agravamento das desigualdades globais, enquanto líderes políticos discutiram possíveis rupturas na ordem econômica mundial, principalmente diante da crescente disputa dos EUA para anexar a Groenlândia;
  • Apesar disso, a presidente do BCE adotou um tom mais cauteloso, defendendo a busca por alternativas e novos arranjos, em vez de assumir um colapso inevitável do sistema atual.

O post Jovens serão os mais afetados pelo “tsunami de IA” no mercado de trabalho, diz chefe do FMI apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/23/inteligencia-artificial/jovens-serao-os-mais-afetados-pelo-tsunami-de-ia-no-mercado-de-trabalho-diz-chefe-do-fmi/