Um artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, submetido para publicação no periódico Research Notes of the AAS, revela novas descobertas sobre o cometa interestelar 3I/ATLAS.
Acredita-se que esse objeto seja muito mais antigo que o Sistema Solar e tenha viajado pela galáxia por pelo menos 10 milhões de anos sem se aproximar de outra estrela. No fim de outubro, quando o cometa alcançou o periélio, a maior aproximação do Sol, os astrônomos tiveram uma oportunidade única de observação.
Sobre o 3I/ATLAS:
- Descoberto em julho de 2025;
- Terceiro objeto interestelar já detectado;
- Pode ser mais velho que o Sistema Solar;
- Não se tem certeza do local de origem na Via Láctea;
- É uma oportunidade de se estudar corpos vindos de outros sistemas estelares;
- Está de saída, passando por Júpiter em março e se despedindo para sempre.
O que o estudo descobriu sobre o cometa 3I/ATLAS
Os autores do estudo usaram o espectrofotômetro SPHEREx, da NASA, para estudar o cometa em agosto e dezembro. Eles notaram um aumento drástico na atividade, típico de cometas que se aproximam do Sol, e coletaram dados que ajudam a entender onde esse fragmento congelado pode ter se formado.
O estudo mostrou que todos os tipos de gelo do cometa estão sublimando, ou seja, passando diretamente do estado sólido para o gasoso. Essa vaporização forma a coma, a atmosfera difusa que envolve o núcleo do cometa. Entre os gases liberados estão água, dióxido de carbono, monóxido e nitreto. A distribuição dessas moléculas é quase circular, enquanto os hidrocarbonetos e a poeira têm padrões diferentes.
A poeira, mais pesada, cria a chamada anticauda, uma cauda extra que aponta para o Sol, e que é relativamente rara. Já os hidrocarbonetos, menos móveis, surgem na coma apenas após a sublimção do gelo de água. Observações de dezembro mostraram moléculas que não tinham sido detectadas antes, sugerindo que estavam aprisionadas ou cobertas pelo gelo.

Outro destaque foi a quantidade de dióxido de carbono presente. A proporção de CO₂ em relação à água é uma das mais altas já registradas em cometas. Isso indica que o 3I/ATLAS pode ter sido exposto a radiação intensa ou ter se formado em uma região de seu sistema original onde o gelo de CO₂ se separa naturalmente do gás.
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“Forasteiro” está se despedindo do Sistema Solar
Atualmente, o visitante interestelar está se afastando do Sol e se tornando muito fraco para observação por telescópios amadores. O cometa passará relativamente perto de Júpiter em março, oferecendo a possibilidade de algumas observações adicionais por missões espaciais, como a Europa Clipper, da NASA, e a JUICE, da Agência Espacial Europeia (ESA).

Essas descobertas ajudam a compreender melhor a diversidade de objetos interestelares e os processos que moldam sua composição, fornecendo pistas sobre a história química da galáxia e a formação de corpos gelados além do nosso Sistema Solar.
O estudo destaca 3I/ATLAS como um objeto único, com uma mistura de gases e partículas que desafia comparações diretas com cometas do Sistema Solar, mostrando que há muito a aprender sobre os viajantes interestelares que cruzam nosso caminho.
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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/23/ciencia-e-espaco/segredos-do-cometa-interestelar-3i-atlas-sao-revelados-com-passagem-proxima-do-sol/
