23 de janeiro de 2026
Saiba como prática de “inscrições fake” elevam notas de corte
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As notas de corte parciais do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 têm chamado a atenção por estarem, em muitos cursos, acima do esperado. Uma das explicações apontadas por estudantes é a presença de candidatos que se inscrevem sem a real intenção de ingressar no ensino superior, prática conhecida informalmente como “inscrição fake”.

O fenômeno ganhou força nesta edição porque, pela primeira vez, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) autorizou a participação no Sisu não apenas de quem fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2025, mas também de participantes das edições de 2023 e 2024.

Com a mudança, estudantes que já estão matriculados em universidades — e que obtiveram notas elevadas em anos anteriores — passaram a disputar vagas sem interesse em ocupá-las. A consequência direta é a elevação artificial das notas de corte parciais, afetando candidatos que concorrem de forma efetiva por uma vaga.

Entre os chamados “inscritos fake”, duas motivações principais têm sido relatadas e amplamente discutidas nas redes sociais.

A primeira envolve uma estratégia para beneficiar amigos. Nesse caso, estudantes já matriculados utilizariam notas antigas do Enem para inflar temporariamente a nota de corte de cursos muito concorridos. O objetivo seria desencorajar outros candidatos, levando-os a desistir ou a mudar de opção durante o período de inscrições.

Segundo relatos, a inscrição é mantida até os últimos momentos do prazo, quando o sistema deixa de atualizar as notas parciais. Depois disso, o candidato retira a inscrição, liberando a vaga para o amigo que permanece na disputa.

Embora não haja violação direta das regras do Sisu, a prática é considerada antiética por muitos estudantes, já que induz candidatos a tomarem decisões com base em dados que não refletem a concorrência real. Há também casos de estudantes que afirmam ter recusado convites para participar desse tipo de estratégia.

“Colecionar aprovações” nas redes

A segunda motivação está ligada à busca por visibilidade nas redes sociais. Nessa situação, o candidato se inscreve no Sisu apenas para constar na lista de aprovados, sem intenção de se matricular ou mudar de curso.

Após a divulgação do resultado, é comum que esses participantes publiquem mensagens comemorando a aprovação em cursos de alta concorrência, como Medicina, mesmo sem dar continuidade ao processo. A atitude, porém, impacta diretamente quem aguarda uma vaga, já que a primeira chamada pode ser ocupada por candidatos que já sabem que não irão se matricular.

Com isso, estudantes que realmente desejam ingressar no curso acabam dependendo das listas de espera e, em alguns casos, perdem as primeiras semanas de aula, o que tem gerado frustração e críticas ao modelo atual.

Reflexos no processo seletivo

Apesar de as inscrições sem intenção não configurarem infração às normas vigentes do Sisu, especialistas e candidatos alertam para os prejuízos à transparência do sistema e ao equilíbrio da seleção. Notas de corte artificialmente altas podem levar estudantes a abandonar cursos compatíveis com seu desempenho, alterando o resultado final do processo.

Até o momento, o Inep não anunciou medidas para coibir esse tipo de prática. No entanto, diante das distorções observadas no Sisu 2026, a discussão sobre possíveis mudanças nas regras do programa tende a se intensificar nos próximos meses.

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/saiba-como-pratica-de-inscricoes-fake-elevam-notas-de-corte-do-sisu-2026/