Nos anos 1970, as missões Pioneer 10 e Pioneer 11, lançadas pela NASA em 1972 e 1973, marcaram a exploração do Sistema Solar ao se tornarem as primeiras sondas a visitar Júpiter e Saturno e, depois, seguir rumo às regiões mais externas. Durante o trajeto, os equipamentos também levaram consigo um enigma que chamou a atenção da comunidade científica por décadas.
A partir de aproximadamente 20 unidades astronômicas (UA), distância equivalente a 20 vezes o espaço médio entre a Terra e o Sol, os dois veículos passaram a apresentar um comportamento inesperado: uma aceleração em direção ao Sol. O fenômeno foi detectado por meio de dados de rádio e medições Doppler, que indicavam uma diferença entre o movimento previsto e o observado.
O que os dados das sondas Pioneer mostraram?
Segundo um estudo citado no material, a chamada “aceleração anômala” foi descrita como uma discrepância entre os modelos de navegação e os sinais de rádio recebidos na Terra. Para que os cálculos se ajustassem, os pesquisadores precisavam incluir uma força constante apontando para o Sol, cuja origem não era conhecida.
Apesar de as sondas continuarem sua trajetória para fora do Sistema Solar, essa influência parecia reduzir levemente sua velocidade. O detalhe de ambas apresentarem o mesmo comportamento na mesma distância levantou suspeitas sobre possíveis falhas nos modelos físicos usados para descrever a gravidade.
Hipóteses sobre novas leis da física
Um dos pontos mais debatidos foi a relação com a lei do inverso do quadrado de Newton, que estabelece que a força gravitacional diminui com o aumento da distância. Os dados das Pioneer, no entanto, sugeriam que o efeito do Sol não estava enfraquecendo como o esperado.
Alguns pesquisadores chegaram a propor explicações mais amplas, incluindo a possibilidade de que a anomalia estivesse ligada à expansão do universo e a mudanças no fluxo do tempo para as sondas. Outros grupos também tentaram relacionar os valores medidos com parâmetros cosmológicos, buscando indícios de que a aceleração poderia ser resultado de fenômenos em escala universal.
Uma explicação mais simples
Com o passar dos anos e a recuperação de dados antigos de navegação, a equipe responsável encontrou uma causa mais direta. A conclusão foi que a aceleração não vinha de forças externas ou de novas leis da física, mas de um recuo gerado pela emissão desigual de calor das próprias sondas.

Em outras palavras, o calor liberado pelos equipamentos não era distribuído de forma uniforme no espaço, criando um pequeno empurrão na direção oposta. Quando esse efeito térmico foi incorporado aos cálculos, a aceleração “desapareceu” dos modelos.
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Outros casos ainda sem resposta
O texto também menciona o chamado “flyby anomaly”, um fenômeno observado em manobras de assistência gravitacional. Em missões como Galileo, Cassini–Huygens e Rosetta, as sondas ganharam um pouco mais de velocidade do que o previsto ao passar pela Terra.
Diversas hipóteses já foram levantadas, desde efeitos ligados à rotação do planeta até a presença de um possível halo de matéria escura. No entanto, como nem todas as espaçonaves apresentam esse comportamento, a explicação definitiva ainda não foi encontrada.
Enquanto novas missões seguem sendo lançadas, os cientistas continuam atentos a possíveis repetições desses efeitos. Cada dado coletado pode ajudar a esclarecer se estamos diante de simples detalhes técnicos ou de fenômenos ainda não totalmente compreendidos.
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