Philip Glass cancelou a estreia mundial da sua sinfonia sobre Abraham Lincoln, prevista para junho, no Kennedy Center, em Washington DC, anunciou o compositor, em comunicado hoje divulgado.
“A Sinfonia n.º 15 é um retrato de Abraham Lincoln, e os valores do Kennedy Center de hoje estão em conflito direto com a mensagem da Sinfonia”, disse Philip Glass, citado no comunicado.
“Assim, sinto-me na obrigação de retirar a estreia desta Sinfonia do Kennedy Center sob a atual direção”, adianta.
A agência do notícias norte-americana Associated Press contactou o Kennedy Center, que não respondeu ao pedido de comentário.
Philip Glass, autor da ópera “Einstein on the Beach”, completa 89 anos no sábado. Em 2018, foi homenageado pelo Kennedy Center.
A Sinfonia n.º 15 de Glass, “Lincoln”, seria dirigida pela maestrina vencedora de um Grammy Karen Kamensek, nos próximos dias 12 e 13 de junho.
Este é o mais recente cancelamento da programação do Kennedy Center, desde que o Presidente Donald Trump destituiu os antigos dirigentes, nomeou um conselho de administração à sua medida e acrescentou o seu nome à designação da instituição da capital federal dos Estados Unidos.
Ao longo do último ano, artistas como a soprano Renée Fleming e o músico tradicional norte-americano Bela Fleck cancelaram as suas atuações no Kennedy Center.
O mesmo aconteceu com o septeto de jazz The Cookers, de Eddie Henderson, Cecil McBee, George Cables e Billy Hart, que ia protagonizar os concertos de fim de ano, com a companhia Doug Varone and Dancers e a cantora folk Kristy Lee, entre muitos outros.
Segundo a imprensa norte-americana, a venda de bilhetes do Kennedy Center caiu para os piores níveis, desde a pandemia, com a chegada da nova administração.
O jornal The Washington Post noticiou que, desde setembro, pelo menos “43 por cento dos bilhetes ficaram por vender”, nas diferentes salas do Kennedy Center, lembrando que, antes, a taxa de ocupação dos espectáculos era sempre superior a 93%.
Trump pôs o Kennedy Center no centro da sua campanha contra o que chama de cultura “woke”.
O nome de Trump já está na fachada do edifício, além do de Kennedy, apesar de tal mudança exigir uma lei do Congresso que altere a que está na base da criação do Kennedy Center.
Fonte: https://comunidadeculturaearte.com/compositor-philip-glass-cancela-estreia-de-sinfonia-no-kennedy-center/
