28 de janeiro de 2026
Tragédia transmitida ao vivo: 40 anos da explosão do ônibus
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Há exatos 40 anos, aconteceu uma das maiores tragédias do programa espacial dos Estados Unidos: o desastre do ônibus espacial Challenger. O acidente ocorreu em 28 de janeiro de 1986, durante o lançamento da missão STS-51-L, matando os sete tripulantes a bordo. Centenas de pessoas – entre elas, muitas crianças – assistiam ao lançamento no local, enquanto milhões acompanhavam ao vivo pela televisão.

A tragédia interrompeu uma missão que tinha grande visibilidade pública e forte apelo educacional. A NASA queria aproximar a exploração espacial das salas de aula e, por isso, levou a bordo a professora Christa McAuliffe, que foi selecionada entre milhares de educadores no projeto “Professor no Espaço”. Durante o voo, ela gravaria aulas e realizaria experimentos, tornando-se a primeira professora a ensinar diretamente do espaço.

A explosão do ônibus espacial Challenger, pouco mais de 70 segundos após o lançamento. Crédito: NASA

Além do aspecto educativo, a missão tinha objetivos técnicos e científicos. O Challenger lançaria um satélite de rastreamento e retransmissão de dados e transportaria o satélite Spartan Halley, voltado para observações do cometa Halley durante sua aproximação ao Sol. Havia também interesse político e institucional em demonstrar a regularidade dos voos espaciais.

A tripulação representava uma diversidade simbólica para aquele momento. Entre os sete integrantes estavam duas mulheres, o primeiro astronauta asiático-americano e o segundo astronauta negro do programa espacial. Essa composição refletia o esforço da NASA em mostrar que o espaço não era exclusivo de um perfil restrito de pessoas, mas um ambiente que poderia representar melhor a sociedade dos Estados Unidos.

Ônibus espacial Challenger explodiu segundos depois de decolar

No dia do lançamento, uma onda de frio rara para a Flórida atingiu Cabo Canaveral e formou gelo na plataforma. A decolagem chegou a ser suspensa, mas acabou autorizada às 13h38 (horário de Brasília). 

A explosão aconteceu 73 segundos depois que o ônibus espacial decolou, no momento em que ele passava pelo chamado “Max-Q”, período de maior estresse aerodinâmico na atmosfera. Os espectadores viram a nave se desintegrar no ar, seguida pela separação dos foguetes auxiliares. Não houve sobreviventes.

Desastres do Programa de Ônibus Espaciais da NASA e tripulação vitimada: Challenger em 1986 (Missão STS-51L) e Columbia em 2003 (Missão STS-107)
Desastres do Programa de Ônibus Espaciais da NASA e tripulações vitimadas: Challenger, em 1986 (Missão STS-51L) e Columbia, em 2003 (Missão STS-107). Crédito: NASA

Além da professora McAuliffe, as vítimas foram o comandante Francis Scobee, o piloto Michael Smith, os especialistas Ellison Onizuka, Judith Resnik e Ronald McNair, o engenheiro Gregory Jarvis. Foi o primeiro grande desastre tecnológico com vítimas a ser testemunhado ao vivo por um público tão amplo, incluindo escolas, canais de TV e pessoas em diferentes partes do mundo.

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Tragédia poderia ter sido evitada

O governo dos Estados Unidos reuniu um grupo para investigar as causas do acidente. Conhecido como Comissão Rogers, o comitê reuniu militares, engenheiros e especialistas do setor espacial. Em junho de 1986, o relatório final concluiu que a explosão foi provocada pela falha de uma vedação em um dos foguetes auxiliares. O frio intenso do dia do lançamento comprometeu o material de borracha, permitindo que gases quentes escapassem e atingissem o tanque principal de combustível.

De acordo com a Associated Press, o documento também destacou falhas de comunicação interna. Engenheiros da NASA e da empresa Morton Thiokol haviam alertado sobre os riscos do lançamento sob temperaturas tão baixas, mas essas preocupações não foram tratadas com o devido rigor. O caso virou referência em debates sobre como grandes instituições lidam com riscos e prevenção.

NASA instituiu o “Dia da Lembrança”

Após o desastre, o programa dos ônibus espaciais ficou suspenso por quase três anos. Os foguetes auxiliares passaram por reformulações, protocolos de segurança foram reforçados e mudanças estruturais criaram canais para que alertas técnicos chegassem aos tomadores de decisão sem barreiras hierárquicas.

Quatro décadas depois, o desastre do Challenger continua sendo lembrado como um divisor de águas na exploração espacial. Todos os anos, no final de janeiro, a NASA realiza o “Dia da Lembrança” para homenagear as tripulações das missões Apollo 1 (que sofreu um incêndio durante um teste em solo, em 1967) e Columbia (perdida após uma falha na reentrada em 2003, colocando fim à era dos ônibus espaciais). A cerimônia reúne familiares, colegas e autoridades no Centro Espacial Kennedy e mantém viva a memória desses tristes episódios.

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/28/ciencia-e-espaco/tragedia-transmitida-ao-vivo-40-anos-da-explosao-do-onibus-espacial-challenger/