29 de janeiro de 2026
Com alta do dólar e dos gastos públicos, BC avalia
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O mercado financeiro brasileiro opera em clima de otimismo nesta quinta-feira (29). Após o Banco Central manter a taxa Selic em 15% ao ano, a sinalização clara de que os juros começarão a cair na reunião de março impulsionou os ativos locais. Às 11h31, o dólar registrava queda de 0,58%, cotado a R$ 5,177, atingindo seu menor nível em quase dois anos. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 0,63%, atingindo os 185.859 pontos, consolidando um novo recorde histórico para a Bolsa brasileira.

A decisão do Copom foi unânime e, embora tenha mantido o tom de “serenidade”, o comunicado afirmou que o colegiado pretende iniciar o ciclo de cortes “em se confirmando o cenário esperado”. A inflação sob controle — que fechou 2025 em 4,26%, o menor índice desde 2018 — deu o respaldo necessário para a autoridade monetária planejar a redução.

Analistas de mercado divergem apenas sobre a intensidade do primeiro corte: enquanto o Itaú projeta uma redução cautelosa de 0,25 ponto percentual, a Bloomberg aposta em uma queda mais agressiva de 0,5 ponto para destravar a economia.

Contraste com os EUA e o fator Trump

Enquanto o Brasil prepara a queda dos juros, os Estados Unidos seguem um caminho de incerteza. O Federal Reserve (Fed) manteve suas taxas entre 3,50% e 3,75% e não sinalizou quando voltará a cortá-las, citando uma economia ainda “sólida”. Esse diferencial de juros mantém o Brasil atraente para o carry trade (investidores que tomam crédito barato lá fora para aplicar no rendimento alto aqui).

O cenário americano é agravado pela pressão política de Donald Trump, que defende juros baixos “na marra” e abriu uma investigação contra o presidente do Fed, Jerome Powell, gerando uma fuga de capital dos EUA em direção a países emergentes como o Brasil.

O que esperar para os próximos meses

  • Selic: Expectativa de queda gradual até atingir cerca de 12,75% ao ano em dezembro de 2026.
  • Bolsa: Historicamente, ciclos de queda de juros impulsionam o Ibovespa (média de 39,2% de alta em ciclos anteriores).
  • Inflação: O BC mantém o alvo no terceiro trimestre de 2027, com centro da meta em 3%.

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/dolar-cai-e-bolsa-renova-recorde-apos-bc-sinalizar-cortes-na-selic-para-marco/