São Luís amanheceu sem ônibus nas ruas nesta sexta-feira (30) após os rodoviários da Grande Ilha deflagrarem greve geral. A paralisação atinge tanto as linhas urbanas quanto as semiurbanas. O movimento grevista foi decidido após impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho entre a categoria e o setor patronal.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (Sttrema), mesmo após quatro rodadas de negociação, não houve apresentação de uma proposta considerada aceitável. A principal reivindicação dos rodoviários é um reajuste salarial de 15%.
Leia também:
O transporte na Grande Ilha funciona em um delicado equilíbrio de forças. De um lado, o Sindicato das Empresas (SET) alega que os custos operacionais (combustível, manutenção e folha) superam a arrecadação da tarifa pública (congelada em R$ 4,20). Do outro, a Prefeitura tenta evitar o aumento da passagem injetando milhões em subsídios diretos. No meio, os rodoviários paralisam as atividades sempre que o acordo coletivo trava ou os salários atrasam, deixando quase 700 mil usuários à mercê de transportes alternativos.
Linha do tempo: de 2025 a 2026
Fevereiro de 2025: greve geral
- 17 de Fevereiro: Rodoviários iniciam uma greve geral paralisando 100% da frota.
- 18 de Fevereiro: A Prefeitura de São Luís anuncia medidas emergenciais, incluindo a autorização para transporte por aplicativos e a tentativa de contratar novas empresas em caráter emergencial.
- 20 de Fevereiro: Após mediação da Justiça do Trabalho, a greve é encerrada. Ficou decidido um reajuste salarial de 7% e um aumento de 10% no ticket alimentação. A frota volta a circular com promessas de novos repasses públicos.
Maio a Outubro de 2025: o ciclo dos subsídios
- Durante o ano, o sistema foi mantido por “balões de oxigênio” financeiros. A prefeitura aumentou o valor do subsídio por passageiro (que chegou a cerca de R$ 1,35 em alguns períodos) para manter a tarifa em R$ 4,20.
- Em Outubro de 2025, o prefeito Eduardo Braide assina decreto abrindo crédito suplementar de mais de R$ 2,5 milhões para o Fundo Municipal de Transportes para cobrir déficits das empresas.
Novembro e Dezembro de 2025: o início do novo impasse
- O Sindicato dos Rodoviários (STTREMA) envia a pauta de reivindicações para a Convenção Coletiva de 2026. Entre os pedidos estão reajuste salarial acima da inflação e manutenção do emprego dos cobradores.
- As empresas (SET) alegam não ter margem financeira sem um novo aumento de tarifa ou maior aporte da prefeitura.
Janeiro de 2026: a nova greve
- Início de Janeiro: O SET notifica a Prefeitura sobre o atraso no pagamento dos subsídios de dezembro (cerca de R$ 6,1 milhões). Empresas ameaçam não pagar a folha integral.
- 26 de Janeiro: Paralisações pontuais começam em garagens específicas (como a Expresso Rei de França) por atrasos salariais.
- 29 de Janeiro: Após reuniões infrutíferas, os rodoviários confirmam greve geral.
- 30 de Janeiro (Hoje): A Grande São Luís amanhece sem ônibus. A categoria exige o cumprimento da convenção coletiva e as empresas alegam insolvência sem o repasse municipal.
Principais problemas atuais
O sistema só sobrevive se a prefeitura pagar às empresas a diferença entre a “tarifa técnica” (o custo real) e a “tarifa pública” (o que o passageiro paga). Trocas constantes no comando da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes dificultam o planejamento a longo prazo.
Apesar dos novos ônibus entregues, a idade média da frota em várias linhas ainda é alta, gerando reclamações constantes de usuários sobre quebras e falta de ar-condicionado.
O Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA) realiza, às 15h desta sexta-feira (30), uma reunião com representantes de órgãos públicos, sindicatos e do setor empresarial para tratar da paralisação dos rodoviários da Grande São Luís, deflagrada nas primeiras horas do dia.
Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/crise-no-transporte-publico-entenda-por-que-as-greves-de-onibus-em-sao-luis-sao-frequentes/
