30 de janeiro de 2026
Grande Pirâmide de Gizé pode ser 10 mil anos mais
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Um estudo recente, ainda sem revisão por pares, sugere que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, pode ter sido construída milhares de anos antes do que se tem conhecimento. A proposta desafia décadas de pesquisas arqueológicas consolidadas e reacende debates antigos sobre a origem do monumento.

Compreender escalas de tempo tão extensas não é simples. Para se ter uma ideia, Cleópatra viveu mais perto do lançamento do iPhone do que da construção da Grande Pirâmide, tradicionalmente datada de cerca de 2600 a.C.

Para alguns pesquisadores e entusiastas, no entanto, as pirâmides do Egito têm uma origem muito mais remota. Há hipóteses que falam em civilizações tecnológicas desaparecidas ou até em intervenções extraterrestres. Embora populares, essas ideias não encontram respaldo na arqueologia acadêmica.

As Pirâmides de Gizé hoje. Em ordem da esquerda para a direita: A Pirâmide de Menkaure, a Pirâmide de Khafre e a Grande Pirâmide.(Crédito da imagem: WitR via Shutterstock)

Em resumo:

  • Estudo controverso propõe que a Grande Pirâmide foi construída muito antes da data conhecida;
  • Hipótese baseia-se na erosão das pedras expostas ao tempo;
  • Modelo sugere construção entre 8954 a.C. e 36878 a.C.;
  • Autor admite incertezas climáticas e questiona datação tradicional egípcia;
  • Arqueólogos mantêm cronologia clássica até confirmação científica independente futura.

Erosão das pedras levanta suspeitas sobre verdadeira idade da Grande Pirâmide de Gizé

Desenvolvida por Alberto Donini, engenheiro da Universidade de Bolonha, na Itália, a pesquisa partiu da análise do desgaste das pedras. Segundo o autor, a erosão causada pelo intemperismo pode funcionar como um indicador indireto do tempo de exposição das superfícies rochosas ao ambiente.

As pirâmides que vemos hoje não correspondem à sua aparência original. Quando foram construídas, eram revestidas por blocos de calcário branco polido, formando uma superfície lisa e brilhante. Essas pedras de revestimento foram retiradas ao longo dos séculos, principalmente para reaproveitamento em construções posteriores, como edifícios erguidos no Cairo.

Com a remoção do revestimento, os blocos estruturais ficaram expostos ao vento, à areia e às variações climáticas, acelerando os processos de desgaste. Algumas partes da pirâmide, no entanto, permaneceram protegidas pela areia acumulada ao redor da base, que dificultou o acesso e preservou certas superfícies.

Pesquisadores analisaram o desgaste das pedras na Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. Crédito: Veronika Kovalenko – Shutterstock

Donini comparou justamente essas áreas. Ele analisou o nível de erosão das pedras antes cobertas pelo revestimento e o comparou ao das pedras expostas desde a construção. O volume de material perdido está relacionado diretamente ao tempo de exposição aos agentes erosivos naturais.

A partir dessa relação, Donini propõe que seja possível estimar uma data aproximada para o assentamento das pedras e para a construção do monumento. Para fortalecer a análise, ele comparou áreas com tempo de exposição conhecido a outras em que essa informação é incerta.

Isso foi possível porque há registros históricos indicando quando parte do revestimento foi retirada e reutilizada em outras obras. Com base nesses dados e em um modelo estatístico, o estudo aponta 68,2% de probabilidade de a pirâmide ter sido construída entre 8.954 a.C. e 36.878 a.C.

A média estimada gira em torno de 22.900 a.C., um período muito anterior ao surgimento das civilizações egípcias conhecidas. Segundo Donini, esses resultados indicariam baixa probabilidade para a datação arqueológica tradicional, que situa a obra no reinado do faraó Quéops.

O autor sugere que Quéops pode ter apenas restaurado a pirâmide, atribuindo a si mesmo a autoria de uma estrutura mais antiga. Nesse cenário, o Egito teria abrigado, há cerca de 20 mil anos, uma civilização capaz de realizar construções monumentais.

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Descoberta confronta décadas de estudos arqueológicos bem documentados

Apesar de interessante, a hipótese exige cautela. O próprio autor reconhece que os resultados não oferecem uma data precisa. Uma das principais limitações é a suposição de que a erosão ocorre de forma constante ao longo do tempo.

Na verdade, o clima do Egito variou bastante. Em períodos mais úmidos, a erosão pode ter sido mais intensa. Além disso, superfícies cobertas por areia podem ficar protegidas por longos intervalos, reduzindo o desgaste. Outro fator importante é a ação humana recente. O turismo crescente contribui para a deterioração das estruturas.

Grande Pirâmide de Gizé seria 10 mil anos mais antiga, segundo estudo. Crédito: Tamboly Photography/Shutterstock

As conclusões também entram em conflito com décadas de estudos arqueológicos bem documentados. A datação tradicional das pirâmides se baseia na evolução da arquitetura egípcia e da cultura material ao longo de milênios.

Segundo o egiptólogo Mark Lehner, trata-se de um conjunto amplo de evidências, não de um dado isolado. A cerâmica encontrada em Gizé corresponde claramente ao período da Quarta Dinastia egípcia. Além disso, a datação por radiocarbono confirmou essas estimativas por meio da análise de materiais orgânicos.

Em entrevista à BBC em 2010, Thomas Higham, pesquisador da Escola de Arqueologia da Universidade de Oxford, na Inglaterra, destacou que sementes e restos vegetais fornecem datas bastante precisas. Esses métodos são considerados mais confiáveis por serem menos sensíveis a variações ambientais.

Assim, até que novos estudos revisados confirmem resultados semelhantes, a cronologia atualmente aceita permanece. Por enquanto, a Grande Pirâmide segue como uma obra extraordinária da Antiguidade, construída por volta de 2600 a.C.

O post Grande Pirâmide de Gizé pode ser 10 mil anos mais antiga do que se pensava apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/30/ciencia-e-espaco/grande-piramide-de-gize-pode-ser-10-mil-anos-mais-antiga-do-que-se-pensava/