31 de janeiro de 2026
São Paulo bate recorde de feminicídios sob o comando de
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O estado de São Paulo registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em 2018. Ao longo do ano, foram contabilizadas 266 mulheres assassinadas, o que representa, em média, uma morte a cada 33 horas, segundo dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Enquanto este recorde criminoso recorde foi batido, o governo Tarcísio de Freitas cortava o orçamento de combate à violência contra mulheres.

O número de 2025 supera o total registrado em 2024, quando 246 mulheres foram vítimas do crime. A comparação entre os dois anos aponta um crescimento superior a 8% nos casos em todo o estado, consolidando uma trajetória de alta que se intensificou ao longo da última década.

Entre as vítimas estão Tainara Souza Santos, Evelyn de Souza Saraiva, Camila Aparecida Montoro Cruz, além de dezenas de outras mulheres que tiveram a vida interrompida, majoritariamente em contextos de violência praticada por ex-companheiros. Os episódios registrados em 2025 evidenciam a brutalidade dos crimes: Tainara morreu após ser atropelada e arrastada por um carro, tendo as pernas amputadas; Evelyn foi atingida por seis disparos dentro do local de trabalho; Camila vivia sob violência doméstica e foi atropelada em plena luz do dia.

A evolução dos casos ao longo dos anos mostra um crescimento consistente. Em 2018, foram 136 registros; em 2019, 184; em 2020, 179; em 2021, 140; em 2022, 195; em 2023, 221; em 2024, 246; até alcançar o pico histórico de 266 feminicídios em 2025.

A escalada da violência também se reflete na capital paulista. A cidade de São Paulo atingiu, em 2025, o maior número de feminicídios de sua história, com 60 mortes, frente a 49 em 2024, um aumento superior a 22%. Nos anos anteriores, os registros foram: 29 casos em 2018, 44 em 2019, 40 em 2020, 33 em 2021, 41 em 2022, 38 em 2023 e 49 em 2024.

Para a promotora Fabíola Sucasas, da Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Ministério Público de São Paulo, o enfrentamento exige foco direto nos agressores, proteção efetiva às vítimas, educação de longo prazo e orçamento público consistente. Sem esses pilares, afirma, políticas públicas tendem a fracassar.

A delegada Eugênia Villa, responsável pela criação da primeira delegacia especializada em feminicídios do país, avalia que “o freio inibidor para um potencial feminicida é a sua imediata prisão conjugada com a inserção em programas que o auxiliem a refletir sobre masculinidades e relações de poder para transformar a disputa em ética do cuidado e solidariedade”.

CORTE DE VERBA

O descaso do governo Tarcísio com a violência contra mulheres, fez com que o Ministério Público Federal (MPF) instaurou em dezembro um inquérito civil para apurar a possível falta de políticas públicas de combate à violência contra a mulher no estado de São Paulo, diante do aumento dos casos de feminicídio em 2025.

A investigação foi aberta pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), que quer verificar se houve omissão do poder público na proteção da vida e da segurança das mulheres.

Entre os pontos investigados está a suposta redução de verbas destinadas à Secretaria de Políticas para a Mulher e às Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs). Informações levadas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) pela deputada federal Erika Hilton indicam que teriam sido cortados R$ 5,2 milhões das delegacias e que a proposta orçamentária para a Secretaria da Mulher em 2026 seria 54,4% menor do que 2025.

Fonte: https://horadopovo.com.br/omissao-mata-sao-paulo-bate-recorde-de-feminicidios-sob-o-comando-de-tarcisio/