O cenário epidemiológico do Brasil apresenta um crescimento alarmante nas taxas de diabetes. Dados do sistema Vigitel, do Ministério da Saúde, revelam que a prevalência da doença entre adultos saltou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, representando um aumento de 134,5% no período. Atualmente, cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com a patologia, índice que se alinha à tendência global de crescimento quadruplicado da enfermidade nas últimas três décadas, conforme estudos publicados na revista científica The Lancet.
O protagonismo dessa escalada pertence ao diabetes tipo 2, que responde por 90% dos diagnósticos no país. Diferente do tipo 1, de origem autoimune, o tipo 2 está diretamente associado a fatores modificáveis, como excesso de peso e hábitos de vida.
O levantamento destaca uma mudança preocupante no perfil dos pacientes: embora o crescimento tenha sido acentuado entre homens, a maior alta percentual (236,4%) ocorreu na faixa etária de 25 a 34 anos, indicando que a doença está atingindo a população cada vez mais cedo devido à piora do padrão alimentar e à redução da atividade física.
A obesidade e o sobrepeso surgem como os principais motores dessa crise. Hoje, um em cada quatro brasileiros é obeso, e mais de 62% da população adulta está acima do peso ideal. Especialistas apontam que, apesar de um leve aumento nos exercícios de lazer, houve uma queda drástica na atividade física utilitária, como deslocamentos a pé ou de bicicleta.
Somado a isso, o baixo consumo de vegetais, a privação de sono — que afeta 20% dos adultos — e o aumento do consumo de álcool criam o ambiente metabólico ideal para o surgimento da resistência à insulina.
Diante da aceleração do ritmo de contágio, que triplicou nos últimos cinco anos, o Governo Federal anunciou a estratégia “Viva Mais Brasil”. O plano prevê o investimento de R$ 340 milhões em políticas de prevenção e na reativação do programa Academia da Saúde a partir de 2026.
Para sociedades médicas, a reversão desse quadro depende não apenas de investimentos financeiros, mas de políticas públicas integradas que garantam segurança alimentar e infraestrutura para uma vida menos sedentária nas cidades.
Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/diagnosticos-de-diabetes-no-brasil-dobram-em-duas-decadas-e-ja-atingem-20-milhoes-de-adultos/
