11 de janeiro de 2026
Autor de novelas da Globo, Manoel Carlos morre aos 92
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Autor de grandes novelas da TV brasileira, Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família.

Manoel Carlos
Manoel Carlos morre aos 92 anos (Imagem: Divulgação / Globo)

Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson, que no último ano afetou o desenvolvimento motor e cognitivo.

Manoel foi um dos principais nomes da teledramaturgia brasileira, consagrado por novelas ambientadas na classe média alta do Leblon, no Rio de Janeiro, e pela criação das icônicas protagonistas femininas chamadas Helenas, presentes em obras como Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas e Em Família, todas na Globo.

A notícia foi confirmada pela produtora Boa Palavra. Veja nota: “É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos. O velório será fechado e restrito à família e amigos íntimos. A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado.”

Globo prepara homenagem a Manoel Carlos

Em homenagem à carreira de Maneco, como era carinhosamente chamado, a Globo vai trazer matérias em seus programas e telejornais e reexibir Tributo – Manoel Carlos, logo após a estreia do BBB 26 na próxima segunda-feira, 12. 

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Globo prepara homenagens a Manoel Carlos (Imagem: Divulgação / Globo)

O especial reúne atores e atrizes que deram vida a personagens inesquecíveis de suas histórias e que revisitam os sets de gravação e os bastidores compartilhados. 

Carolina Dieckmann, Susana Vieira, Alinne Moraes, Antonio Fagundes, Deborah Secco, Tony Ramos, Gabriela Duarte, Lilia Cabral, Mateus Solano, Mel Lisboa, Vera Holtz e Vivianne Pasmanter estão entre os artistas que emprestam suas memórias para celebrá-lo.

A história de Manoel Carlos

Filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da professora Olga de Azevedo Gonçalves de Almeida, Manoel Carlos Gonçalves de Almeida nasceu em 14 de março de 1933, em São Paulo. Ainda adolescente, aos 14 anos, frequentava diariamente a Biblioteca Municipal de São Paulo. 

Ali, no grupo “Os Adoradores de Minerva”, dividia leituras e debates sobre literatura, filosofia, política e arte com jovens como Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fábio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Filho, em encontros que antecipavam, sem que soubessem, uma geração inteira dedicada a contar histórias ao Brasil.
 
Um dos precursores da televisão brasileira, Manoel Carlos pisou pela primeira vez em um estúdio aos 17 anos, na TV Tupi. O talento precoce logo se impôs: no ano seguinte, foi reconhecido como ator revelação. Vieram então os anos de formação intensa, atravessando a fase inaugural da TV Record, passando pela TV Itacolomi, em Belo Horizonte, pela TV Rio e pela TV Tupi do Rio de Janeiro. 

Entre câmeras, cenários e textos ao vivo, atuou como ator e diretor e adaptou mais de cem teleteatros, aprendendo, na prática, o ritmo, a urgência e a poesia da dramaturgia televisiva. Na década de 1960, integrou as últimas produções da TV Excelsior, período em que dividiu cena e criação com nomes fundamentais da cultura brasileira, como Chico Anysio, Ziraldo e Mário Tupinambá, consolidando um percurso feito de experimentação, talento e encontro com grandes mestres.
 
Manoel Carlos chegou à Globo em 1972 como diretor-geral do Fantástico, o que aprofundou sua escuta da realidade e do comportamento humano. Sua primeira novela na Globo foi ‘Maria, Maria’, em 1978. Autor das inesquecíveis “Helenas”, criou personagens femininas complexas, fortes e contraditórias, capazes de amar intensamente e de errar com a mesma profundidade. 

De Regina Duarte a Vera Fischer, de Christiane Torloni a Taís Araújo, de Maitê Proença a Julia Lemmertz, essas personagens marcaram gerações ao colocar no centro da trama sentimentos como culpa, desejo, maternidade e redenção.
 
Manoel Carlos nunca teve pressa para contar histórias. As tramas se desenvolviam no ritmo da vida real, com longas conversas à mesa, caminhadas pela orla e conflitos que nasciam de pequenos gestos. Cenas que ficaram gravadas na memória coletiva revelam sua assinatura autoral: quando uma mãe troca o próprio filho pelo da filha em ‘Por Amor’; o câncer de Camila (Carolina Dieckmann), que fez o país chorar ao som de “Love by Grace” em ‘Laços de Família’; ou ainda os diálogos maduros de ‘Mulheres Apaixonadas’, que abordaram violência doméstica, envelhecimento e intolerância. 
 
Sem discursos fáceis, ele deu voz a dores silenciosas e ajudou o país a conversar sobre amor, família, ética e responsabilidade afetiva. ‘Laços de Família’ provocou um aumento expressivo nas doações de medula óssea no país, ao transformar um tema pouco conhecido em uma causa nacional. 

Já a revolta do público diante dos maus-tratos de Dóris (Regiane Alves) aos avós em ‘Mulheres Apaixonadas’ ajudou a intensificar o debate público sobre o envelhecimento e a dignidade dos idosos, em um momento crucial que antecedeu a consolidação do Estatuto do Idoso.
 
Maneco conheceu de perto a dor que muitas vezes escreveu. Sua vida foi atravessada por perdas profundas. Três dos cinco filhos morreram ainda jovens: Ricardo de Almeida, em 1988, em decorrência do HIV; Manoel Carlos Júnior, em 2012, após um ataque cardíaco; e Pedro Almeida, em 2014, vítima de um mal súbito. Ele deixa duas filhas: a escritora e roteirista Maria Carolina e a atriz Júlia Almeida. 
 
O último trabalho de Manoel Carlos como autor de novela foi ‘Em Família’, exibida em 2014, encerrando uma trajetória marcada pelo olhar sensível para as relações humanas, que fizeram de suas novelas um espelho delicado da vida urbana, especialmente do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, que se tornou quase um personagem constante em sua narrativa.

Paulo CarvalhoPaulo Carvalho


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Fonte: https://rd1.com.br/autor-de-novelas-da-globo-manoel-carlos-morre-aos-92-anos/