13 de janeiro de 2026
Haddad pede que Congresso aprove PL do devedor contumaz para
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (13) que o governo federal atua de forma coordenada com o Banco Central (BC) e outros órgãos de controle no caso do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi determinada após a identificação de operações suspeitas. Segundo ele, a apuração pode revelar a maior fraude bancária já registrada no país.

O caso envolve a venda de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), em operações que somam R$ 12,2 bilhões e estão sob suspeita de irregularidades.

Contato direto com o Banco Central

Haddad disse que mantém contato quase diário com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e que a atuação da autoridade monetária conta com respaldo institucional do Ministério da Fazenda. Segundo o ministro, o trabalho envolve ainda conexões com outras investigações em curso.

“Tenho falado com o presidente do BC quase que diariamente, dando todo respaldo institucional da Fazenda. Penso que temos feito um trabalho conjunto muito importante, porque envolve a Fazenda também, o caso Reag [fundos ligados à operação Carbono Oculto]. Há uma conexão que está sendo apurada entre os dois casos”, afirmou.

Ligações com a operação Carbono Oculto

A operação Carbono Oculto foi deflagrada pela Polícia Federal em 28 de agosto de 2025, mobilizando cerca de 1.400 agentes em dez estados. A investigação mira um amplo esquema de fraude tributária, lavagem de dinheiro e atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

Segundo Haddad, a possível conexão entre esse esquema e operações financeiras sob investigação amplia a gravidade do caso envolvendo o Banco Master e exige uma resposta rigorosa das instituições públicas.

Alerta sobre a gravidade do caso

Para o ministro da Fazenda, a dimensão das irregularidades exige cautela processual, mas também firmeza na defesa do interesse público. “O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária do país. Temos que tomar todas as cautelas devidas, garantindo espaço para a defesa se explicar, mas sendo bastante firmes naquilo que precisa ser defendido”, declarou.

Ele ressaltou que o objetivo central do governo é assegurar a apuração completa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, além de buscar o ressarcimento de eventuais prejuízos causados ao sistema financeiro.

Relação com o TCU e autonomia do BC

Haddad também comentou as discussões envolvendo o Tribunal de Contas da União (TCU), que avaliava a possibilidade de realizar inspeções técnicas no Banco Central. Segundo ele, houve diálogo com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, para conciliar o poder de fiscalização da Corte com a autonomia constitucional do BC.

“Penso que houve uma convergência sobre como ajudar o país a conhecer a verdade, apurar responsabilidades e eventualmente obter o ressarcimento dos prejuízos causados. As coisas vão caminhar para o lado certo”, afirmou.

Defesa da atuação técnica do Banco Central

Nos bastidores, integrantes do Banco Central avaliam que os embargos apresentados ao TCU deixaram claro que a liquidação do Banco Master é prerrogativa exclusiva da autoridade monetária. Haddad reforçou que vê a transparência como um fator positivo no processo.

“Toda transparência pode ajudar. Estou absolutamente seguro do trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram. O trabalho do BC é tecnicamente muito robusto”, declarou o ministro, acrescentando que houve diálogo com a Procuradoria-Geral da República ao longo do processo.

Entenda a liquidação do Banco Master

A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de uma instituição financeira que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, interrompe as operações, vende os ativos e paga os credores conforme a ordem prevista em lei.

No caso do Banco Master, a diretoria foi afastada, as atividades suspensas e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) acionado para ressarcir investidores e correntistas dentro dos limites legais.

Situação fiscal e contas de 2025

Além do tema bancário, Haddad comentou a situação das contas públicas. Segundo ele, números preliminares do Tesouro Nacional indicam que a meta fiscal de 2025 será cumprida pelo terceiro ano consecutivo.

“O número é preliminar, mas devemos ter terminado o ano com 0,1% de déficit. Considerando exceções do Congresso ou da Justiça, seria algo como 0,17%. Com os precatórios, fechamos em 0,48%”, afirmou.

Regras do arcabouço fiscal

Pelas regras do arcabouço fiscal, o governo pode registrar um déficit de até 0,25% do Produto Interno Bruto sem descumprir formalmente a meta, o equivalente a cerca de R$ 31,3 bilhões. Além disso, outros R$ 44,5 bilhões em precatórios podem ser excluídos do cálculo.

Na prática, isso permite que o resultado negativo alcance até R$ 75,8 bilhões sem que a meta fiscal seja formalmente descumprida, segundo explicou o ministro da Fazenda.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/haddad-afirma-que-caso-master-pode-revelar-maior-fraude-bancaria-da-historia/