9 de janeiro de 2026
Inflação fecha 2025 em 4,26% e fica abaixo do teto
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A inflação oficial do Brasil encerrou 2025 em 4,26%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O índice, medido pelo IPCA, ficou abaixo do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central do Brasil, confirmando a desaceleração observada ao longo do segundo semestre do ano.

O resultado veio exatamente em linha com as expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela Bloomberg projetavam inflação de 4,26% para o acumulado de 2025, com estimativas variando entre 4,2% e 4,45%.

No recorte mensal, o IPCA registrou alta de 0,33% em dezembro, acima dos 0,18% observados em novembro. A taxa também coincidiu com a mediana das projeções do mercado para o último mês do ano.

Nova regra da meta de inflação

O ano de 2025 marcou uma mudança importante na forma como o Banco Central acompanha o cumprimento da meta de inflação. No terceiro ano do governo Lula, a autoridade monetária passou a adotar o sistema de meta contínua, abandonando o antigo modelo baseado no ano-calendário, de janeiro a dezembro.

Pela nova regra, a meta é considerada descumprida quando o IPCA acumulado permanece por seis meses consecutivos fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% a 4,5%, com centro em 3%. O índice ultrapassou o teto pela primeira vez em junho, mas voltou a ficar abaixo de 4,5% em novembro, afastando o risco de descumprimento.

A meta de inflação segue sendo o principal parâmetro para a definição da política de juros do país.

Juros, dólar e alimentos freiam preços

Economistas apontam uma combinação de fatores para explicar a perda de força da inflação em 2025. Um dos principais foi o choque de juros promovido pelo Banco Central, que iniciou um ciclo de aperto monetário em setembro de 2024. A taxa Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025.

Juros elevados encarecem o crédito, reduzem o consumo e desestimulam investimentos, funcionando como um freio à demanda. Embora isso represente uma trava ao crescimento econômico, ajuda a aliviar a pressão sobre os preços.

Outro fator relevante foi a queda do dólar ao longo de 2025. A valorização do real contribuiu para reduzir custos de bens industriais e alimentos, com impacto direto sobre o IPCA.

Os preços da alimentação no domicílio tiveram papel central nesse movimento. A partir de meados do ano passado, o grupo passou a registrar quedas sucessivas, impulsionado tanto pelo câmbio mais favorável quanto pela safra recorde de grãos.

Com isso, a inflação fechou o ano abaixo do que se esperava no início de 2025. Em janeiro do ano passado, a mediana das projeções do boletim Focus indicava alta de 4,99% nos 12 meses.

“O troféu foi para a alimentação”, diz o economista André Braz, do FGV Ibre. “O câmbio ajudou muito, assim como a safra muito robusta”, acrescenta.

Expectativas para 2026

Para 2026, Braz avalia que os alimentos consumidos no domicílio tendem a subir mais do que em 2025, mas sem um salto abrupto. A projeção do economista é de alta entre 4% e 4,5% para esse grupo.

Por outro lado, ele acredita que os preços de serviços e outros componentes da inflação devem avançar menos neste ano, ainda sob efeito do aperto monetário. Esse comportamento pode resultar em um IPCA mais baixo em 2026, em torno de 3,9% a 4%.

Na mediana, o mercado financeiro projeta inflação de 4,06% em 2026, conforme o boletim Focus mais recente, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (5).

“Mesmo que o Banco Central comece a cortar os juros, as condições macroeconômicas não vão mudar da noite para o dia. Leva de seis a nove meses para uma mudança surtir efeito”, afirma Braz.

“Com base nisso, acredito que os preços monitorados e os preços livres de serviços vão subir menos neste ano, compensando uma alimentação no domicílio mais alta.”

O economista alerta, porém, que o cenário exige cautela. Ele destaca que a invasão da Venezuela pelo governo dos Estados Unidos gera incertezas no mercado internacional, com potencial impacto sobre os preços do petróleo. Além disso, as eleições presidenciais no Brasil tendem a aumentar a volatilidade financeira e podem influenciar o câmbio.

Uma das principais dúvidas do mercado é quando o Banco Central começará a reduzir a Selic. O Comitê de Política Monetária volta a se reunir nos dias 27 e 28 de janeiro, mas parte dos analistas aposta que o início do ciclo de cortes ficará para o encontro seguinte, marcado para 17 e 18 de março.

Por que a inflação sentida pode ser diferente do IPCA

O IPCA mede a variação de preços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. A cesta do índice reúne 377 produtos e serviços, organizados em nove grandes grupos de consumo.

A definição dos itens e de seus pesos no cálculo é feita com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares, que identifica como as famílias brasileiras distribuem seus gastos.

Ainda assim, a inflação não é percebida de forma igual por todos. Cada família tem um padrão de consumo próprio, o que pode gerar uma sensação de inflação maior ou menor do que a apontada pelo índice oficial.

“Por exemplo, uma família que não consome carne vermelha e não tem filhos em idade escolar terá, com certeza, um índice de inflação pessoal diferente do oficial, cujo cálculo coloca peso considerável na variação do preço da carne e da mensalidade escolar”, diz o IBGE em seu site.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/inflacao-fecha-2025-em-426-e-fica-abaixo-do-teto-da-meta/