O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso envolvendo o Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), decidiu suspender a inspeção que havia determinado no Banco Central. A medida ficará em vigor até que o plenário da Corte analise o tema. As informações foram reveladas pela coluna da jornalista Daniela Lima, do UOL.
Em despacho publicado nesta quinta-feira (8), o relator afirmou que a iniciativa ganhou uma “dimensão pública desproporcional” em relação ao que classificou como uma providência instrutória rotineira do tribunal, o que, segundo ele, recomenda que a controvérsia seja analisada pelo plenário da Corte.
Suspensão até decisão colegiada do TCU
No documento, Jhonatan de Jesus argumenta que o plenário é a instância adequada para “estabilizar institucionalmente a matéria”, diante da repercussão do caso. Com isso, ele atribuiu efeito suspensivo à ordem de inspeção no Banco Central, sustando temporariamente sua execução.
“Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do Plenário”, escreveu o ministro no despacho.
A decisão ocorre após críticas internas ao TCU, como revelou a coluna do UOL, apontando desconforto com o foco da ofensiva do relator sobre o Banco Central — órgão que identificou as irregularidades no Banco Master — e não diretamente sobre a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.
Críticas internas e reação em Brasília
A iniciativa de Jhonatan de Jesus gerou apreensão entre ministros da Corte, técnicos da área de auditoria e integrantes do Palácio do Planalto. A avaliação predominante era de que a inspeção poderia deslocar o foco da apuração e criar ruídos institucionais desnecessários.
Na prática, o relator pretendia analisar os documentos que levaram à liquidação do Banco Master. Em Brasília, porém, consolidou-se a percepção de que a medida poderia ter como efeito minar o processo de liquidação ou, ao menos, atrasar a venda de ativos da instituição — movimento considerado crucial para o pagamento de investidores prejudicados.
Fraudes, lobby e conexões políticas
O Banco Master entrou no radar das autoridades após a constatação de irregularidades graves, como o uso de fundos de pensão públicos sem rentabilidade adequada e a utilização de “laranjas” como responsáveis por carteiras de crédito superavaliadas. Essas práticas levaram à intervenção e posterior liquidação da instituição.
O banco ganhou projeção política em Brasília a partir da atuação de seu controlador, Daniel Vorcaro, que passou a circular entre parlamentares do centrão e integrantes do Judiciário, promovendo forte articulação de lobby no setor financeiro.
Jhonatan de Jesus, ex-deputado federal, teve sua indicação ao TCU avalizada justamente pelo centrão — grupo político no qual Vorcaro mantinha maior influência. O ministro também é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal relacionadas a emendas parlamentares, o que adicionou mais sensibilidade ao caso dentro e fora do tribunal.
Fonte: https://agendadopoder.com.br/relator-do-caso-master-no-tcu-recua-e-suspende-inspecao-no-banco-central/
