Billie Eilish e Ariana Grande, Jennifer Aniston e Jamie Lee Curtis, Stephen King e Amanda Gorman estão entre as personalidades da cultura dos Estados Unidos (EUA) que se têm manifestado contra a atuação do ICE e a administração Trump.
A morte do enfermeiro Alex Pretti, numa rua de Minneapolis, no sábado, baleado várias vezes por agentes do Serviço de Imigração e Fronteiras (ICE), cerca de duas semanas depois de Renee Good ter sido abatida por elementos da mesma força federal, está na base da maioria das manifestações mais recentes de condenação em páginas oficiais de atores, músicos, escritores e de outras personalidades ligadas ao mundo das artes e do espetáculo dos EUA.
A cantora Billie Eilish, na rede social Instagram, partilhou dados sobre as taxas de criminalidade em Minneapolis, atribuindo ao ICE 67% dos homicídios cometidos na cidade, este ano, e desafiou celebridades a manifestarem-se.
Além de considerar Pretti “um verdadeiro herói americano”, Eilish opôs-se ao silêncio de figuras da cultura norte-americana, no apelo: “Ei, colegas famosos, vão manifestar-se? Ou…”.
A cantora Ariana Grande partilhou uma ligação para publicações anteriores suas sobre o ICE, denunciando “a ocupação” do Minnesota pelas forças federais, enquanto Olivia Rodrigo publicou, também no Instagram: “As ações do ICE são inconcebíveis, mas nós não somos impotentes. O que fazemos importa. Estou com o Minnesota”.
Rodrigo já tinha criticado a Casa Branca por usar a sua música “All-American Bitch” em publicações do ICE, recusando o uso das suas “músicas para promover propaganda racista e odiosa”.
O ator e produtor Ken Olin, das séries “Os Trintões” e “This Is Us”, publicou uma série de fotografias históricas de execução de civis na Guerra do Vietname e na Segunda Guerra Mundial, pelas forças nazis, num paralelo com as imagens do momento em que Renee Good e Alex Pretti foram abatidos pelo ICE, em Minneapolis.
“Não acreditem nas palavras deles [das forças federais], acreditem nos seus atos”, comentou Olin.
O ator Pedro Pascal, conhecido pelo trabalho em “Narcos”, publicou os nomes de pessoas mortas pelo ICE, afirmando que merecem “memória e justiça”.
“A verdade é uma linha divisória entre um governo democrático e um regime autoritário”, disse o ator de origem chilena nas redes sociais.
“Pretti e Renee Good estão mortos. O povo americano merece saber o que aconteceu”, frisou ainda.
A atriz Amanda Seyfried, por seu lado, reproduziu contactos de senadores com a pergunta: “Onde raio está o Supremo Tribunal?”
Mark Ruffallo, que não tem poupado críticas à administração liderada pelo Presidente republicano Donald Trump, escreveu sobre a morte de Pettri nas redes sociais: “Assassinato a sangue frio, numa rua americana, de um homem que protegia alguém que amava. (…) Fomos invadidos por um exército criminoso interno. Não finjam que isto não é perigoso ou errado”.
A atriz Jennifer Aniston publicou o depoimento dos pais de Alex Pettri, um vídeo de homenagem ao enfermeiro da Unidade de Cuidados Intensivos da Associação de Veteranos de Minneapolis e números de telefone de senadores, para o envio de mensagens de protesto.
Natalie Portman, que se pronunciou no próprio dia da morte de Pettri, no Festival de Sundance, considerou “horrível o que está a acontecer” nos EUA.
“Trump, Kristi Noem, ICE… o que estão a fazer é realmente o pior do pior da humanidade”, disse à revista Deadline.
A atriz e realizadora Olivia Wilde também se confessou “horrorizada e enojada” com a situação.
“Não podemos passar mais um dia a aceitar isto como a nova normalidade. É ultrajante”, disse à Variety, em Sundance.
“As pessoas estão a ser assassinadas (…). Se pudermos fazer algo para expulsar o ICE e ilegalizar esta organização criminosa, então é isso que devemos fazer”, prosseguiu Olivia Wilde.
Jamie Lee Curtis publicou nas redes sociais o editorial do The New York Times intitulado “Duas pessoas estão mortas. Os americanos merecem saber a verdade”.
A atriz de “The Bear” e “Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo” apelou ainda a “uma greve nacional” de protesto, à semelhança do ator Edward Norton.
As atrizes Jane Fonda, Cynthia Nixon, Zoey Deutch, o músico SZA e a modelo Bella Hadid são outras figuras públicas que condenaram as mortes e a atuação do ICE, em publicações nas suas redes, enquanto o escritor Stephen King resumiu: “Alex Pretti foi assassinado”.
A poetisa Amanda Gorman publicou um texto “à memória de Alex Pretti”, na rede social X: “Acordamos sem palavras, apenas com tristeza e dor. O nosso próprio país apunhalar-nos pelas costas não é só brutalidade, é uma traição chocante (…). A nossa maior ameaça não são os que vêm de fora, mas aqueles que nunca olham para dentro de si”.
“Não temam os ‘sem documentos’, mas os sem consciência”, escreveu Amanda Gorman. E concluiu: “Se algum dia perdermos a esperança, que nunca percamos a humanidade. A única coisa imortal é a compaixão, a coragem de nos abrirmos como portas, abraçarmos o nosso próximo e salvarmos mais uma vida brilhante”.
Fonte: https://comunidadeculturaearte.com/atores-musicos-e-escritores-dos-eua-condenam-mortes-em-minneapolis-e-administracao-de-donald-trump/
