29 de novembro de 2025
celebrar a diversidade da cidade e a memória sonora como
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Fotografia de Dobet Gnahoré / Luminar Studio 1

Entre 04 e 06 de Dezembro o Lisboa Mistura apresenta-se na 19.ª edição no B.Leza Clube, no Centro Comunitário do Bairro da Flamenga e na Mouraria, promovendo a cidade como lugar de criação e inclusão, através de apresentações artísticas que cruzam novas linguagens e tendências criativas. 

Produzido pela Associação Sons da Lusofonia, o Lisboa Mistura 2025 deseja celebrar a memória sonora de diferentes origens enquanto prática cultural contemporânea, 

O palco do B.Leza Clube recebe duas noites de actuações, a 04 e 05 de Dezembro, começando com Galandum Galundaina, uma referência na música de raiz tradicional portuguesa que parte do vasto património musical mirandês para conseguir uma sonoridade única através da singularidade dos instrumentos que os próprios recuperam e desenvolvem. Partindo do saber-fazer tradicional, os Galandum Galundaina juntam à sua sonoridade as vozes em língua mirandesa, que contribuem para um ambiente sonoro que transporta o público para uma viagem por um tempo remoto repleto de actualidade. 

Fotografia de Robinson Khoury MŸA / Elisa Ramirez

A primeira noite termina com um DJ set de Palestinian Sound Archive, plataforma dedicada a preservar a história dos sons dos países de língua árabe através de diferentes meios de comunicação. Aqui, a prática arquivística é explorada como metodologia decolonial e acto de resistência através da partilha de sons e imagens de arquivo que documentam o património, a cultura, as celebrações, a dança e a resistência palestinianas, e situam a música nos seus contextos culturais, sociais e políticos. 

O seu fundador, Mo’min Swaitat, estará também, na tarde de 06 de Dezembro, na Cozinha Popular da Mouraria para um workshop sobre como não são apenas estes sons que precisam de ser salvaguardados, mas também as histórias e experiências extraordinárias de quem os criou, incluindo memórias de como fizeram e distribuíram o seu trabalho face à deslocação, censura, exílio, perseguição, prisões e a Primeira e Segunda Intifadas, entre outros grandes eventos. 

A segunda noite no B.Leza começa com a actuação da OPA – Oficina Portátil de Artes, projecto artístico anual da Sons da Lusofonia que, desde 2006, se foca no hip-hop e na produção musical, e tem como objectivo potenciar novas formas de cruzamento entre a pedagogia e a solidificação da carreira artística dos jovens elementos que a integram.  

Com direcção artística de Francisco Rebelo (Orelha Negra / Fogo-Fogo), é proporcionada aos participantes uma evolução acompanhada e um lugar em palcos centrais da cidade, ajudando a criar redes entre artistas, agentes culturais e salas de espectáculo. Em 2025, a OPA tem na sua formação Bella Bellux, Dwalla, Crate Diggs, Skiidiverz, Young ABC e Ja Yl’ Son (of Lights).  

A segunda actuação da noite cabe a Dobet Gnahoré unplugged, super-estrela costa-marfinense vencedora de um Grammy, que apresentará uma poderosa viagem musical pelo seu mais recente álbum, Zouzou, lançado em 2024. 

Uma colecção de músicas de celebração de ritmos, culturas e sons modernos da Costa do Marfim que oferece uma nova abordagem a temas intemporais como a resiliência, a união e o poder da feminilidade. Esta apresentação em duo é uma poderosa homenagem à impressionante energia criativa da África contemporânea e às ricas tradições que continuam a inspirar uma nova geração de artistas.  

A artista estará também em Chelas, a 6 de Dezembro, com o Grupo Comunitário da Flamenga, e outros participantes que se queiram inscrever, a desenvolver um workshop de voz, dança e percussão, a partir das tradições musicais e artísticas da Costa do Marfim, trabalhando conceitos de arte-participativa e de comunidade. 

O último concerto da noite cabe a prétu (a.k.a. Chulage) afronauta numa viagem sónica e visual pelo seu cosmos sampladélico, parando em estações à procura de viajantes que queiram fugir do metaverso imperial, previsível e vigiado.  

O velocímetro deste Objeto Sónico Não Identificado marca BPMs variados, onde os samples são a ignição. Aqui, o tempo é encolhido, esticado, acelerado e desacelerado, corrido em várias direcções, sobreposto, loopado, espiralizado, warpado, abrindo fendas entre géneros onde não existe gravidade.  

Fragmentos de electrónica, dub, morna, batuku ou cola-boi chocam, colapsam, e da poeira estelar, e da chuva cósmica, nasce a música.  

A noite termina ao som dos discos de Mãe Dela, alter-ego de Carla Menitra que se tem vindo a afirmar ao longo dos tempos como uma presença incontornável na cena musical, tendo sido uma das primeiras mulheres a assumir a cabine de DJ na Lisboa underground dos anos 90. 

Conteúdo patrocinado por Associação Sons da Lusofonia.

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Fonte: https://comunidadeculturaearte.com/lisboa-mistura-2025-celebrar-a-diversidade-da-cidade-e-a-memoria-sonora-como-ferramentas-de-criacao-e-inclusao/