26 de janeiro de 2026
Expresso Transatlântico dá “outros ambientes” à guitarra portuguesa no novo
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por Lusa,    26 Janeiro, 2026


Fotografia de Miguel Marquês

O trio Expresso Transatlântico propõe-se “levar a guitarra portuguesa para outros ambientes musicais”, no seu novo álbum, a sair na sexta-feira, “Trópico Paranóia”, em que denuncia a atual situação social.

O trio é formado por Gaspar Varela, na guitarra portuguesa, pelo seu irmão Sebastião Varela, na guitarra elétrica, e por Rafael Matos, na bateria, contando com os músicos adicionais Zé Cruz, nos teclados e sopros, e Tiago Martins, no baixo.

Em declarações à agência Lusa, Gaspar Varela disse que foi sempre interesse do trio “explorar [todas as vertentes da] guitarra portuguesa e levá-la para outros caminhos”, diferentes do fado, género onde habitualmente se apresenta.

O álbum é constituído por 12 temas, todos compostos pelo trio, que se junta para compor, fazendo música de fusão.

“Somos três jovens que ouvimos diferentes estilos de música e, querendo ou não, acabam por influenciar e ser uma fusão musical. Por norma um de nós traz uma ideia ou uma frase [musical] e vamos desenvolvendo”, explicou Gaspar Varela.

O músico disse que “a melodia vai saindo naturalmente”. “Nós damos o nosso tempo para compor a música e explorar coisas, e ao fim de um bocado de estarmos a tocar a mesma coisa, aparecem coisas novas que achamos interessantes. É assim que surgem as cenas”.

O músico reconheceu que este “é um álbum contra a corrente e de algum protesto contra a atual situação”.

“Como já disse, somos três jovens que sentimos que vivemos numa sociedade que está a ficar muito nojenta, e num país que está a ir por caminhos muito perigosos. E, enquanto jovens artistas, é algo para o qual tentamos alertar de forma consciente e inconsciente”.

O músico acrescentou: “Não tenho vergonha nenhuma de dizer isto. Há valores sociais que já estavam adquiridos e, se calhar, o nosso erro foi esse, ter dado por adquirido coisas que nos estão a ser retiradas, especialmente aos jovens”.

O guitarrista falo da dificuldade de um jovem conseguir habitação e também, “a nível social, das ameaças à nossa democracia. “São coisas que nos fazem pensar e questionar: ‘Será isso que queremos?’ E é nestas alturas que é importante a Arte existir”.

A escolha do título do álbum, “Trópico Paranóia” – com as duas palavras acentuadas -, é justificada pelas afirmações do músico, segundo o qual “parece que estamos a viver num trópico paranoia”.

O álbum abre com “Avalanche” e inclui temas como “Não Pares Povo”, “Coro dos Mudos”, “Bruxa do Caramelo”, “Nikita Punk” e “Trópico Paranóia”.

Diogo Varela destacou “Canção para a Madrugada”, que encerra o álbum, por ser “num registo que nunca” tinham experimentado.

“Pela primeira vez, [nesse tema] gravámos só nós três sem os músicos que nos acompanham, o Zé Cruz e o Tiago Martins, o que pode ser mais próximo de uma guitarrada”, descreveu à Lusa.

O álbum foi produzido por The Legendary Tigerman, tendo sido a primeira vez que o trio teve um produtor musical, assinalou Diogo Gaspar.

Os Expresso Transatlântico vão apresentar o novo álbum em março, em dois concertos: no dia 13, na Casa da Música, no Porto, e, no dia seguinte no Capitólio, em Lisboa.

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Fonte: https://comunidadeculturaearte.com/trio-expresso-transatlantico-da-outros-ambientes-a-guitarra-portuguesa-no-novo-album-tropico-paranoia/