16 de janeiro de 2026
Comprador da Copel Telecom é alvo da PF e privatização
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O empresário Nelson Tanure, responsável pela compra da Copel Telecom em 2020, é um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14) pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master, instituição que financiou parte significativa da aquisição da empresa paranaense. Tanure teve o celular apreendido por agentes federais no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando se preparava para embarcar para Curitiba, fato que reacendeu críticas à privatização da estatal e ao governo de Ratinho Júnior (PSD).

A operação é um desdobramento das apurações que atingem o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, preso na primeira fase da investigação, em novembro do ano passado. Nesta nova etapa, a PF cumpre 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados — São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro — por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas de sequestro e bloqueio de bens que somam mais de R$ 5,7 bilhões. Além de Tanure, outros empresários do setor financeiro estão entre os investigados.

A presença do comprador da Copel Telecom no centro de uma investigação da Polícia Federal lança nova luz sobre o processo de privatização conduzido pelo governo do Paraná. À época, a Copel Telecom era uma empresa lucrativa e estratégica, responsável por infraestrutura essencial de comunicação e dados. Mesmo assim, foi vendida por R$ 2,3 bilhões a um fundo controlado por Tanure, com forte participação do Banco Master no financiamento. Após a transação, a estatal foi rebatizada como Ligga Telecom.

Para a oposição ao governador Ratinho Júnior, os fatos confirmam alertas feitos desde 2020. O líder do bloco na Assembleia Legislativa, deputado Arilson Chiorato (PT), afirma que a venda ocorreu sem o devido cuidado com a origem dos recursos e com o perfil dos compradores. Segundo ele, a apreensão do celular de Tanure mostra que “as investigações estão avançando”. 

“Isso tudo que está aparecendo agora não caiu do céu. Não foi por falta de aviso sobre essas relações indecentes do Banco Master com o governo Ratinho Júnior. A gente falou, alertou”. Arilson avalia que o fato de a Polícia Federal ter apreendido o celular de  Tanure “[…] mostra que as investigações estão avançando”, mas “ainda há muita coisa a ser esclarecida”, defende.

Na mesma linha, o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) questionou o motivo da viagem de Tanure a Curitiba no dia da operação. Para ele, o episódio expõe a fragilidade do processo de privatização. “Estamos falando de uma empresa estratégica, vendida com recursos de um banco hoje investigado por fraudes”, diz. “Isso coloca sob suspeita não apenas o comprador, mas todo o modelo adotado pelo governo”, ressalta.

O caso reforça as críticas à política de privatizações levada adiante no Paraná, que, segundo a oposição, tem transferido ativos estratégicos para grupos privados sem transparência necessária e sem garantias de interesse público. Para parlamentares e movimentos sociais, a investigação da PF evidencia os riscos de colocar setores essenciais, como telecomunicações, nas mãos de empresários e instituições financeiras agora sob suspeita, aprofundando o debate sobre soberania, controle público e o destino do patrimônio estatal.

Fonte: https://horadopovo.com.br/comprador-da-copel-telecom-e-alvo-da-pf-e-privatizacao-volta-a-ser-questionada-no-parana/