29 de novembro de 2025
assassino não tolerava ser chefiado por mulheres
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Na última sexta-feira (28), um homem matou duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet) do Maracanã, na Zona Norte do Rio. Depois disso, segundo policiais militares que estavam no local, ele se matou.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A Polícia Civil informou que investiga a morte de três pessoas na ocorrência. As vítimas são: Allane de Souza Pedrotti Mattos, diretora da Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino (DIACE) e; Layse Costa Pinheiro, psicóloga do Cefet.

O autor do crime foi identificado como João Antônio Miranda Tello Gonçalves, ele era funcionário da instituição e tinha sido afastado por questões de saúde mental.

De acordo com relatos colhidos no local, João Antônio entrou na sala onde Allane estava e efetuou disparos à queima-roupa, atingindo-a na nuca e no ombro. Na sequência, ele se deslocou até outra sala, onde estava a psicóloga Layse Costa Pinheiro, e disparou mais vezes, acertando-a na cabeça e no abdômen.

Depois dos ataques, João Antônio seguiu para uma outra sala e tirou a própria vida. Ele foi encontrado já sem vida pelos policiais militares que prestavam apoio à ocorrência. Com ele foi encontrada a pistola Glock .380 utilizada no crime.

Allane, de 41 anos, era chefe da Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino (Diace) do Cefet. Doutora em Letras, ela construiu uma trajetória acadêmica robusta, com passagens pela PUC-Rio, UFRJ, UFF e pela Universidade de Copenhague, na Dinamarca. No Cefet, era responsável pela coordenação da equipe pedagógica e acadêmica ligada à Direção de Ensino, especificamente na área de Educação Profissional e Tecnológica do Ensino Médio. Ela deixou uma filha adolescente, era torcedora apaixonada pelo Fluminense e também cantora de samba, pandeirista e compositora. 

Já Layse, de 40 anos, trabalhava como psicóloga escolar na instituição. Discreta nas redes sociais, ela se apresentava como feminista, antirracista e engajada na luta pelas minorias e se dizia apaixonada por música, incluindo cantoras como Marisa Monte, Maria Rita, e dança de salão. Ela era graduada em Psicologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e desempenhava funções de apoio emocional e acompanhamento dos estudantes. Estava na instituição desde 2014.

PROBLEMAS E CAOS

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) ainda investiga o que motivou João Antônio Miranda Tello Ramos a matar duas colegas de trabalho a tiros. A suspeita inicial é de ele teria sérios problemas com as colegas de trabalho por não tolerar o fato de ser chefiado por mulheres.

Após problemas com Allane Mattos, João Antônio foi transferido para outra unidade. Inconformado com a mudança, ele chegou a recorrer ao Ministério Público Federal (MPF) para tentar um retorno.

Nesta mesma época, João também teve problemas no novo posto de trabalho, o que o levou a um afastamento cautelar. Entretanto, um laudo psiquiátrico atestou que ele se encontrava apto a regressar às atividades profissionais, novamente na unidade Maracanã.

O Corpo de Bombeiros recebeu chamado às 15h50 e encaminhou as vítimas ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, mas elas não resistiram. O atirador foi encontrado por policiais militares já sem vida, em um sofá.

Uma aluna que assistia aula no Cefet no momento do ataque às duas profissionais da instituição conta que foram cinco minutos de completo desespero. Segundo a jovem, que cursa o 1º ano, a turma chegou a acreditar que se tratava de uma brincadeira dos alunos do 3º ano, já que a sexta-feira marcou o último dia de aula para algumas turmas.

“Depois de cinco minutos de desespero, nos disseram para sair correndo pela única entrada aberta naquele momento. Um verdadeiro caos. Eu realmente achei que era uma brincadeira até nossos veteranos entrarem na sala e começarem a falar que tinham atirado em alguém”, contou a estudante em suas redes sociais.

Alunos que estavam no prédio ficaram trancados em um pavilhão da área de Segurança do Trabalho até que fosse seguro sair. Em outro relato, um estudante disse que as turmas se trancaram nas salas após o barulhos dos disparos, e que houve pânico, correria e muita tensão.

A direção-geral do Cefet emitiu uma nota de pesar, lamentando “profundamente essa tragédia, que chocou a comunidade acadêmica” e decretando luto oficial por cinco dias na instituição a partir de segunda-feira (1º). Leia a nota na íntegra:

“É com extrema tristeza que o Cefet/RJ informa o falecimento das servidoras técnico-administrativas Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro, vítimas de um atentado no interior da Unidade Maracanã na tarde desta sexta-feira (28). Os disparos foram efetuados por João Antonio Miranda Tello Ramos Gonçalves, também servidor da instituição, que, em seguida, tirou a própria vida.

Imediatamente após o ocorrido, a Unidade Maracanã foi evacuada pela Diretoria de Ensino (DIREN) e foram acionados o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, que atuaram nos primeiros socorros às vítimas. As motivações do crime serão investigadas pela Delegacia de Homicídios da Capital.

A Direção-Geral do Cefet/RJ lamenta profundamente essa tragédia, que chocou a comunidade acadêmica, e decreta luto oficial por cinco dias na instituição a partir de 1º/12/2025, por meio da Portaria nº 1.808/2025.”

Fonte: https://horadopovo.com.br/crime-no-cefet-maracana-assassino-nao-tolerava-ser-chefiado-por-mulheres/