Passa a valer nesta terça-feira (6) o reajuste da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, que elevou o valor da passagem de R$ 5,00 para R$ 5,30. Antes da entrada em vigor do aumento, a Prefeitura de São Paulo estabeleceu um prazo para que usuários do Bilhete Único possam evitar o novo valor, que encerrou na segunda (5).
O novo valor da tarifa representa um reajuste de 6%, percentual superior à inflação oficial do país. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,5% nos 12 meses encerrados em novembro. Ainda assim, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sustenta que a correção seria justificada por ter ficado abaixo do índice setorial do IPC-Fipe Transporte Coletivo, que registrou variação de 6,5% no período.
Além do aumento da passagem de ônibus, a integração entre ônibus municipais e os sistemas de transporte sobre trilhos também ficou mais cara. A tarifa integrada, que hoje é de R$ 8,90, passou para R$ 9,38 a partir desta terça-feira (6). No caso do vale-transporte integrado, o valor subiu de R$ 10,84 para R$ 11,32, segundo informações da Secretaria de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo. O reajuste amplia o impacto financeiro sobre trabalhadores que dependem da combinação entre ônibus, metrô e trens para se deslocar diariamente.
A justificativa oficial, no entanto, não tem sido suficiente para conter as críticas. Especialistas, parlamentares e movimentos sociais questionam tanto o percentual aplicado quanto a condução do processo decisório. Na reunião do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), convocada em meio ao recesso administrativo, a decisão foi duramente criticada por representantes da sociedade civil. Para o especialista em mobilidade urbana Rafael Calabria, ex-membro do colegiado, o procedimento adotado pela prefeitura foi um “desrespeito tremendo” e “totalmente abusivo”.
Calabria também alertou que o aumento da tarifa tende a aprofundar um problema estrutural do transporte coletivo na capital: a perda contínua de passageiros. Segundo ele, passagens mais caras afastam usuários, reduzem a demanda e criam um círculo vicioso de piora do serviço e maior dependência de subsídios públicos. As críticas ganham ainda mais peso diante dos dados oficiais que indicam redução da frota de ônibus da cidade, que caiu de 12.813 veículos em 2019 para 12.094 em 2025.
Apesar da diminuição do número de ônibus em circulação, os custos do sistema cresceram de forma acelerada. De acordo com a SPTrans, o gasto total saltou de R$ 8,7 bilhões para R$ 12,3 bilhões no mesmo período, impulsionado principalmente pelo aumento do preço do diesel, dos salários dos trabalhadores e de outros insumos operacionais. Para manter a operação, a prefeitura ampliou significativamente o subsídio público, que já supera R$ 6 bilhões em 2025 – o maior valor da história da cidade.
Para o vereador Nabil Bonduki (PT-SP), que acionou a Justiça contra o reajuste, o aumento é “imoral diante da péssima qualidade do serviço entregue à população”. Ele destaca que, além da redução da frota, muitos veículos seguem circulando com mais de dez anos de uso, o que compromete o conforto, a regularidade das linhas e eleva os custos de manutenção. O parlamentar também critica o ritmo lento de renovação da frota elétrica, que representa menos de 10% do total, muito abaixo das metas anunciadas pela própria prefeitura.
Fonte: https://horadopovo.com.br/passagem-de-onibus-em-sao-paulo-sobe-a-partir-desta-terca-e-integracao-chega-a-r-1132/
