10 de janeiro de 2026
São Paulo sediará ato e lançamento de livro sobre o
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São Paulo recebe, no próximo 19 de janeiro, um ato em memória dos 50 anos do assassinato de Manoel Fiel Filho e o lançamento do livro “Carrascos da Ditadura”, do jornalista Jorge Oliveira, diretor do documentário Perdão, Mister Fiel, que será exibido na ocasião.

A atividade acontece às 18h, na Rua do Carmo, 171, no centro de São Paulo, antiga sede do Sindicato dos Metalúrgicos e atual sede do Sindicato dos Aposentados da Força Sindical.

Durante o evento, será entregue a Medalha Manoel Fiel Filho a militantes do movimento operário e sindical, como reconhecimento à resistência democrática e à defesa dos direitos dos trabalhadores. A iniciativa é da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), com apoio das centrais sindicais e do Centro de Memória Sindical, e terá transmissão pelos sites da FAP e do portal Tutaméia.

O lançamento do livro integra o ato político e simbólico que marca a data. A obra reconstrói a trajetória de Manoel Fiel Filho, identifica os responsáveis por sua prisão, tortura e morte e analisa o funcionamento da repressão política no Brasil e na América do Sul durante os regimes ditatoriais, contribuindo para a preservação da memória histórica.

Manoel Fiel Filho nasceu em 7 de janeiro de 1927, em Quebrangulo (AL). Casado com Thereza de Lourdes Martins Fiel, teve duas filhas. Na década de 1950, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como padeiro, cobrador de ônibus e, por quase 20 anos, como operário metalúrgico prensista na empresa Metal Arte. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), atuava na difusão do jornal Voz Operária e no trabalho de organização política entre os operários das fábricas da Mooca, tradicional bairro da zona Leste da capital paulista, historicamente marcado pela forte concentração industrial e pela intensa atividade sindical

Ao meio-dia de 16 de janeiro de 1976, Manoel foi retirado do local de trabalho por homens que se apresentaram como funcionários da prefeitura e levado ao DOI-Codi do II Exército, em São Paulo. Após uma busca em sua residência, na qual nada que pudesse incriminá-lo foi encontrado, agentes informaram à esposa que ele seria libertado no dia seguinte. Em 19 de janeiro, no entanto, o comando do II Exército divulgou nota afirmando que Manoel havia sido encontrado morto no dia 17, supostamente enforcado com as próprias meias dentro da cela.

A repercussão do assassinato gerou protestos que resultaram no afastamento do comandante do II Exército, Ednardo D’Ávila Mello, e na demissão do chefe do Centro de Informações do Exército, Confúcio Danton de Paula Avelino, por decisão do então presidente Ernesto Geisel. Ainda assim, um Inquérito Policial Militar concluído em apenas 30 dias determinou o arquivamento do caso, apesar das evidências de crime praticado por agentes do Estado.

Fonte: https://horadopovo.com.br/sao-paulo-sediara-ato-e-lancamento-de-livro-sobre-o-assassinato-de-manoel-fiel-filho/