A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar o Ministério da Segurança Pública enfrenta um cenário de alta complexidade política no Congresso Nacional. Embora o Planalto considere a pasta estratégica para 2026, aliados admitem reservadamente que a tramitação da Medida Provisória (MP) necessária para a fundação do ministério será dificultada pelo atual clima de tensão entre os Poderes.
O principal obstáculo reside na presidência do Congresso. O senador Davi Alcolumbre, responsável por instaurar a comissão mista que debateria a MP, demonstra insatisfação com escolhas recentes do governo para o Judiciário. Sem o apoio direto de Alcolumbre, o texto corre o risco de sofrer atrasos regimentais ou chegar ao Senado com o prazo de validade próximo do fim, o que comprometeria sua aprovação definitiva.
Dificuldades na Câmara e no Senado
Além do entrave na cúpula do Legislativo, o governo lida com uma base aliada instável na Câmara dos Deputados. Votações recentes mostraram que o Palácio do Planalto não possui uma maioria confortável para garantir a aprovação de reformas estruturais sem intensas negociações. A oposição, por sua vez, planeja utilizar o debate sobre a segurança pública para desgastar a imagem do governo, tentando associar a política externa brasileira a regimes vizinhos em crise.
A estrutura administrativa também gera impasses internos. A saída iminente do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, é atribuída ao possível enfraquecimento de sua pasta com o desmembramento. Lewandowski deve deixar o governo ainda nesta semana, abrindo uma disputa pela sucessão que envolve nomes como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o senador Rodrigo Pacheco.
Sucessão no Ministério da Justiça
Com a saída de Lewandowski, o governo precisa definir se manterá o Ministério da Justiça e Segurança Pública unificado ou se insistirá na divisão. Os nomes cotados para a vaga — incluindo Vinícius Marques de Carvalho, da CGU — refletem diferentes estratégias de Lula: uma solução técnica focada na PF ou uma saída política envolvendo parlamentares de peso. A decisão final impactará diretamente a capacidade de articulação do governo para aprovar a PEC da Segurança Pública e a própria criação do novo ministério no decorrer de 2026.
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Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/articulacao-politica-trava-recriacao-do-ministerio-da-seguranca-publica-no-congresso/
